Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?
Enviada em 09/05/2023
O livro “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, apresenta a grande discrepância de classes sociais existente no final do século XIX, com uma elite que desfrutava de privilégios e uma população mais pobre, que vivia em situações precárias. No entanto, nota-se que esse problema ainda aflige a sociedade do século XXI, visto que algumas pessoas são marginalizadas ao ponto de perderem seus direitos como cidadão e passam a mendigar. Diante dessa análise, é possível observar que a negligência estatal e a omissão da sociedade dificulta a resolução do problema.
Dessa forma, percebe-se a inoperância e negligência estatal como uma causa agravante do descaso em relação aos mendigos. Segundo Djamila Ribeiro, é necessário tirar os empecilhos da invisibilidade para pensar em como resolvê-los. Assim, fica evidente que, por não dar a devida atenção aos problemas sociais e causas que envolvem a mendicância, o Estado demonstra o baixo estímulo governamental a essas discussões e aumenta a carência de conscientização da população sobre o assunto.
Ademais, a omissão da sociedade é outro fator que contribui para a manutenção do problema. De acordo com George Simmel, sociólogo alemão, a sociedade desenvolveria uma atitude conhecida como “blasé”, caracterizada pela indiferença da sociedade em meio as situações que necessitam de maior atenção. Assim, observa-se a atitude blasé na sociedade brasileira na insensibilidade em relação às pessoas que praticam a mendicância, aumentando a marginalização e invisibilidade dos mendigos.
Portanto, torna-se inquestionável que a problemática apresentada é consequência do descaso do Estado e da omissão populacional. Dessa maneira, torna-se imprescindível a adoção de medidas para atenuar esse obstáculo, como a criação de políticas públicas que contem com participação de profissionais da área da educação e psicologia, com a intenção de criar projetos que reintegrem esses indíviduos na sociedade, com a exerção plena de seus direitos como cidadãos, sendo necessário o apoio das mídias sociais para divulgar e conscientizar a população, a fim de alcançar novos voluntários. Visa-se, dessa forma, garantir a os direitos de todos os cidadãos e evitar a “atitude blasé” defendida por Simmel.