Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?

Enviada em 21/06/2023

A globalização integra todos os lugares e os indivíduos em tempo real. Entretanto, quem não se conecta nesse emaranhado social, é excluído da sociedade. De maneira análoga, hoje, no Brasil, a mendicância pode ser vista como uma consequência desse avanço global, já que convive na mesma esfera social de uma sociedade que “posto, logo existo”. A partir desse contexto, é fundamental entender as principais questões e sujeitos que permeiam essa problemática.

Em um primeiro momento, o descaso governamental é uma das questões abordadas quando o assunto é a mendicância. Isso ocorre, porque o Estado é gerido como patrimônio privado por uma minoria no poder que defendem os próprios interesses, enquanto negligenciam grande parte da população (teoria estudada por Lilia Schwarcz como “Patrimonialismo”). A partir disso, mesmo que, de acordo com a Constituição, “Todos são iguais perante a lei”, direitos básicos como moradia e bem-estar se resumem apenas ao papel.

Além disso, em um mundo no qual o individual sobrepõe o coletivo, a mendicância é apenas mais um problema que é invisibilizado. Essa questão está diretamente associada ao fato de vivermos em uma “sociedade líquida”, ou seja, as relações sociais serem consideradas fragéis e maleáveis, como os líquidos. Tal ideia é estudada pelo intelectual Zygmunt Bauman e, mesmo que a solidariedade seja bem-vista no mundo virtual e dos “likes”, ela não transpassa para a realidade. Consequentemente, a mendicância é negligenciada pela sociedade, tendo, apenas o poder público, como ferramenta chave para uma efetiva e sentimental cidadania.

Portanto, a mendicância é um dos inúmeros problemas escancarados pela globalização. Posto isso, cabe ao Poder Executivo, em parceria com o ministério público, investir em casas de apoio que visem fornecer alimentação, lazer e moradia de qualidade para essa minoria. Além disso, com as mídias socialmente engajáveis, como o Instagram, conscientizar a sociedade dessa população excluída do mundo digital, de modo que a mendicância seja vizualizada pelos “cidadãos globais” e enfrentada com respeito.