Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?
Enviada em 08/09/2023
A obra literária “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, mostra em sua narrativa um grupo de crianças abandonadas, que para sobreviver nas ruas, precisa pedir esmolas. Tendo que depender, exclusivamente, da solidariedade. Fora da ficção, no Brasil, a mendicância é um desafio. Isso se deve, sobretudo, à desigualdade social e a falhas governamentais
Em primeiro lugar, é importante destacar a disparidade na sociedade como fator que implica a mendicidade existente. Alarmantemente, a existência dessa conjuntura é reflexo da Globalização, em que os meios tecnológicos e de informação se expandiram massivamente, entretanto não atingiram de forma democrática a população do planeta. Nesse sentido, favoreceu o acúmulo de riquezas entre os mais ricos. Por conseguinte, a camada mais pobre enfrenta dificuldades na garantia de sua emancipação social.
Outrossim, é válido salientar o descaso estatal, como agente que corrobora a pobreza. Neste contexto, fica evidente a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas, tais como programas de redistribuição de renda, para combater a discrepância no país. Segundo as ideias do filósofo John Locke, essa circunstância configura-se como uma ruptura do “contrato social”, visto que o Estado não cumpre a sua função de assegurar que todos os cidadãos tenham acesso a necessidades básicas, como educação, saúde e moradia.
Portanto, é preciso aplacar esse impasse. Logo, urge que o Poder Público, como responsável pelo bem-estar social, juntamente com o CRAS, por meio de projetos sociais, ofereça abrigos temporários e alimentação aos moradores de ruas, a fim de que a questão da miséria seja resolvida. A partir dessas ações, poderá ser consolidado um país menos desigual e mais empático.