Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?
Enviada em 02/11/2023
Em um de seus contos, Machado de Assis afirma que, por intermédio do diálogo e da divulgação de ideias, é possível fazer um livro, um governo ou uma revolução. Fora das páginas, a ideologia do autor mostra-se plausível quando se percebe que o debate sobre o papel do Estado no combate a mendicância é imprescindível para solucionar os problemas atrelados a essa questão. Nesse sentido, a omissão e o desemprego se caracterizam como principais agravadores de tal exposto.
Primeiramente, faz-se importante salientar que, embora seja de responsabilidade governamental promover o bem-estar social, ainda há um grande descaso desse setor diante dessa tarefa. Concomitantemente, pode-se citar a música “The Principal”, de Melanie Martinez, a qual compara a figura de um diretor escolar inoperante aos órgãos públicos, indicando que estes falham em assegurar os direitos da população. De volta à realidade, assim como o ilustrado na obra, devido à ineficiência estatal em garantir acesso à moradia, inúmeros brasileiros vivem em situação de rua, aspecto que fere a dignidade dessa camada popular.
Ademais, é necessário pontuar que o desemprego fomenta a mendicância. Dessa maneira, é possível fazer um paralelo com a novela “Totalmente Demais”, em que o personagem Jonas, impossibilitado de se sustentar, torna-se um morador de rua ao perder seu emprego. Nessa perspectiva, a partir da vivência do coadjuvante, é notório que a inatividade profissional dos cidadãos aumenta a quantidade de
indivíduos sem-teto, fator que urge ser combatido pela efetividade governamental.
Logo, é imperioso que o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, por meio do uso de verbas públicas, promova a construção de casas de acolhimento que forneçam aulas profissionalizantes, com o intuito de garantir moradia e possibilitar oportunidade de emprego para essa parcela socialmente fragilizada. Assim, a revolução idealizada por Machado de Assis ocorrerá.