Mendicância: dever do estado ou questão de solidariedade?

Enviada em 21/06/2024

“Dois filhos de Francisco: A história de Zezé de Camargo e luciano” descreveu no cinema, a resistência encontrada na pobreza pelos cidadãos que desejam ascender socialmente, apesar dos infortunios econômicos. Visto isso, transcender das classes mais baixas é tão surreal atualmente, que se acontecer, vira filme. Em vista disso, qualquer problema de cunho nacional está pegado ao Estado e açoda por resolução, por isso a mendicância é assunto ao Estado Democrático de Direito. Consequentemente, a solidariedade enquanto virtude não é anulada porém, abranda-se, porquanto não é eficaz para a extinção da pobreza, em si mesma.

Sob essa ótica, o surgimento da miséria enquadra o Estado na hipossuficiência de fiscalizar a aplicabilidade de direitos aos civis e, lança os mais pobres no anonimato social. Nesse contexto, os humanos marginalisados, geralmente buscam nas ruas a visibilidade do Estado, pois não foram enchergados com dignidade na área do lar anterior. Vale ressaltar que, o documentário “Cracolândia” da rede Record, deu vez de fala aos moradores de ruas consentrados na Cracolândia, que explicaram almejar sair das ruas, contudo não logram de meios para sair, quer dizer, se o Estado não fugisse da frente à mendicância, salvaria cidadãos à margem da sociedade. Desse modo, o Estado em objeção à pobresa, liga direitos aos civis.

Por conseguinte, a caridade é uma beleza empírica articuladora da mobilidade social, porém, inexequível diante de resolver o impasse da penúria econômica. Nesse âmbito, as instituições civis não têm por obrigaório, o ônus de serem a força motriz para à equitatividade de direitos, ao contrário, precisam ser protegidas pelo Estado. Paralelo a isso, Luciano Huck afirmou em palestra na Uninassal, que mesmo que todos os filantropos ajudassem no enfrentamento da pobreza, ainda assim, o Estado seria necessário para que conseguissem, ou seja, Estado e caridade funcionam juntos. Dessa forma, só altruísmo é insuficiente mas, minimiza pobreza.

Infere-se, portanto, que se a mendicância for enfrentada apenas pelo auxílio da solidariedade social, não terá êxito, contrariamente, o Estado sozinho pode extinguir a miséria nacional. Destarte, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, deve atualizar o índice da pobreza, por meio de pesquisas, estas que fornecem fatos, a fim de alcançar outros “Dois Filhos de Francisco”.