Métodos terapêuticos experimentais: Uma saída para doenças ou um comportamento temerário?
Enviada em 28/08/2020
O filme “O óleo de Lorenzo”, relata o drama real vivido por uma criança, Lorenzo, diagnosticado com adrenoleucodistrofia, uma doença rara e, até então, sem cura. Mediante ao contexto hostil, seus pais dedicam suas vidas à pesquisa científica sobre a distrofia e conseguem, por conta própria, elaborar um óleo que minimizou o avanço progressivo da doença e estendeu o tempo de vida da criança. De maneira análoga, muitas famílias utilizam recursos terapêuticos experimentais, como último meio para diminuir a angústia caudada por doenças sem tratamentos respaldados cientificamente, enfrentando, inclusive, os dilemas éticos que tais procedimentos implicam. Nesse sentido, faz-se imprescindível analisar as faces da moeda em busca de um equilíbrio para o impasse.
Sob esse viés, cabe destacar os perigos das recomendações e dos tratamentos caseiros - sem o aparato científico necessário. Acerca disso, no célebre livro Princípio Responsabilidade, o filósofo Hans Jonas reitera a necessidade da ética e moral para limitar os avanços tecnológicos e suas implicações futuras. Assim, como os métodos terapêuticos são experimentos e, a pesar da sua utilidade, é questionável o desconhecimento dos efeitos colaterais à longo prazo, já que não passaram por testes e muitas vezes provém de materiais não legalizados, como a cannabis - em que um de seus compostos é efetivo para minimizar os casos de convulsão. Desse modo, cria-se uma responsabilidade ética do uso desses métodos depositados sobre as famílias que deles usufruem.
Por outro lado, o défice no desenvolvimento científico trava a resolução dessa questão, devido à falta de investimentos e recursos básicos. Sob esse prisma, de acordo com os termos constitucionais vigentes o Estado é responsável por garantir o avanço da científico, as condições de infraestrutura e os materiais para a efetivação das pesquisas, visando desenvolver a ciência e a tecnologia da nação. Contudo, na prática, esses deveres não são efetuados, uma vez que há um descaso para com as famílias que necessitam desse recurso, obrigando-as, consequentemente, a buscarem alternativas por conta própria que minimizem seus sofrimentos e ampare suas especificidades, como os pais de Lorenzo.
Destarte, é fundamental alternativas que dissolva tal cenário. Para tanto, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aumente os investimentos destinados às pesquisas científicas e tecnológicas, sobretudo na área da saúde, por meio dos tributos federais administrados pela União e provido pelo corpo social, proporcionando a compra de materiais, equipamentos e infraestrutura, a fim de dar suporte à comunidade científica do país e às famílias que necessitam dessa assistência.