Métodos terapêuticos experimentais: Uma saída para doenças ou um comportamento temerário?

Enviada em 17/06/2020

A farmacologia é a área da ciência responsável por avaliar os mecanismos de interação que acontecem entre o fármaco e o organismo, utilizando-se de uma metodologia científica para comparar os benefícios e os efeitos adversos causados por esse medicamento. A partir disso, pode-se verificar que os métodos terapêuticos experimentais compõem a fase de testes de possíveis medicamentos futuros, pois nesse estágio ainda não há comprovação de efetividade terapêutica. Dessa forma, o uso de substâncias que ainda são métodos experimentais não garante o fim da patologia, mas pode apresentar efeitos adversos no organismo, tornando-se uma conduta temerária.

A primeira questão que pode ser abordada sobre os métodos terapêuticos experimentais é que, segundo a base de dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mais de cinquenta por cento das substâncias utilizadas, em experimentos metodológicos, apresentam mudanças nos benefícios à medida em que o espaço amostral utilizado aumenta ou diminui. Dessa forma,  enquanto não há comprovação científica de que o medicamento é realmente eficaz no tratamento de doenças, este apresenta um comportamento temerário. A exemplo disso, pode-se citar o uso da cloroquina em pacientes testados positivos para a COVID-19.

A segunda questão que envolve os métodos terapêuticos experimentais é a divulgação midiática dos resultados esperados pela pesquisa, gerando um sentimento de esperança em muitos indivíduos que dependem daquele medicamento para curar sua patologia. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde revelou que 1 em cada 3 pesquisas não obtém os resultados esperados, alertando, ainda mais, sobre a importância de se esperar uma comprovação científica desse método terapêutico. Portanto, é imprescindível que a mídia tenha cuidado ao divulgar uma pesquisa, não criando expectativas, como é o caso da fosfoetanolamina sintética na cura do câncer.

Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Saúde proíba, por meio de um manual específico, a prescrição ou o uso de substâncias que ainda estão em fase de testes, já que os métodos terapêuticos experimentais podem ser uma saída para as doenças, contudo, sem comprovação apresentam, apenas, um comportamento temerário. Essa intervenção deve acontecer com a finalidade de diminuir os efeitos colaterais causados por medicamentos ainda em fase de teste, aumentando a qualidade de vida dos indivíduos. Além disso, é necessário também que o Ministério da Justiça instaure uma multa, por meio de um decreto, para os meios midiáticos que divulgarem equivocadamente os resultados científicos ou que distorcerem os dados apresentados, para que a sociedade não crie esperanças em uma substância que pode ou não ser eficaz.