Métodos terapêuticos experimentais: Uma saída para doenças ou um comportamento temerário?
Enviada em 26/06/2020
O médico e cientista Oswaldo Cruz foi pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil. Durante o governo do presidente Rodrigues Alves, Oswaldo Cruz reformou o código sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país, como efeito salvou milhares de vidas. Desse modo, fica evidente que métodos terapêuticos experimentais são a única forma de manter a medicina em constante mudança e evolução. Logo, faz-se fulcral entender como a falta de investimento do governo em pesquisa, tecnologia e a desvalorização da ciência cooperam para que métodos experimentais ainda não sejam consolidados no Brasil.
Nesse contexto, é necessário salientar que segundo o jornal El País, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior cortou mais de 12000 bolsas, apenas em 2019. Consequentemente, profissionais da área da saúde que desejam fazer pesquisas e desenvolver medicamentos melhores, migram para países mais desenvolvidos, que carecem de suas habilidades, e lhes oferecem melhor remuneração, benefícios e reconhecimento. Por conseguinte, isso causa um enorme dano à economia e à saúde da população brasileira. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.
Outrossim, o Brasil, que se encontra na posição econômica de país emergente, depende significativamente de pesquisas e inovações tecnológicas para alcançar o status de nação desenvolvida. Para tanto, é indispensável que haja grandes investimentos nesse âmbito, assim como na melhoria da infraestrutura e na maior disponibilidade de verba para os cientistas. No entanto, dados coletados pelo jornal Estadão indicam que desde 2016 o país enfrenta a pior crise financeira da história nos institutos de ciência dependentes do Governo Federal. Tal situação é, portanto, reflexo do descaso das autoridades governamentais e ocasiona prejuízos tanto à classe científica quanto à população em geral.
Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Logo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações — responsável pela formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e Tecnologia — deve criar centros de pesquisas, com ampla infraestrutura e dotados das tecnologias mais avançadas, que reúnam cientistas em prol do surgimento de inovações médicas que possam ser implantadas na sociedade, de modo a promover o desenvolvimento social e econômico do país. Ademais, o Governo Federal deve instituir a ciência como área prioritária de investimentos, ao lado da saúde e da educação. Nesse âmbito, será possível consolidar a medicina experimental no Brasil.