Métodos terapêuticos experimentais: Uma saída para doenças ou um comportamento temerário?

Enviada em 01/11/2020

Desde 1988 a Constituição Federal brasileira prevê saúde como direito básico para todos. Entretanto, esse sempre foi um problema nos governos do país. Para contrapor isso, a população busca por métodos terapêuticos experimentais que muitas vezes são ineficientes. Desse modo, fica clara que a busca por métodos alternativos para tratamento de patologias pode não ser o melhor caminho, porém, no Brasil, a burocracia do processo pode levar um longo período até que a população tem acesso aos medicamentos testados e autorizados. Então, é notória a relevância do tema.

Antes de tudo, vale salientar a cultura da sociedade brasileira de buscar tratamentos experimentais, muitas vezes não comprovados, para curar doenças. Contudo, esse panorama pode ter graves efeitos. Exemplo disso, ocorreu durante a pandemia do Coronavírus, nesse caso, a busca pelo tratamento da patologia pela hidroxicloroquina, medicamento investigado e não comprovado como eficaz foi incentivada por famosos e representantes políticos. Sendo assim, a partir da influência dessas pessoas pode-se disseminar falsas informações acerca dos tratamentos realmente eficazes.

Ademais, uma outra problemática que incentiva a busca por métodos terapêuticos experimentais é a burocracia e o grande tempo exigido na comprovação e legitimação de fármacos. Esses aspectos, são comprovados no documentário “Ilegal“. O filme, que mostra a busca pela autorização de utilização de medicamentos a base de Canabidiol, substância presente na maconha, demonstra a necessidade de urgência que o assunto tem. Depois disso, a Agência Nacional de Vigilância sanitária (Anvisa) retirou o Canabidiol da lista de substâncias proibidas em 2015.Todavia, a liberação da comercialização do fármaco a base da substância só ocorreu em 2020, o que expõe a lentidão do processo. Com isso, torna-se indubitável que vidas necessitam de uma maior agilidade do processo.

Portanto, como exposto, é certa a inclinação da população brasileira na busca por tratamentos alternativos e o quanto a comprovação desses métodos é importante. Dessa maneira, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse. Dessa forma, cabe a Anvisa, órgão integrante do Sistema Único de Saúde, otimizar o tempo de investigação para reconhecer a eficácia e regulamentar os medicamentos utilizados em métodos terapêuticos experimentais. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmera dos Deputados. Esse plano deve prever a instituição de uma secretaria dentro da agência, com objetivo de investigar, registrar e autorizar fármacos que tenham efetividade, de maneira mais rápida. Para assim, evitar a disseminação de práticas inadequadas e investimento em remédios que não funcionam. Desse jeito, será possível controlar os métodos experimentais, e acima de tudo, fazer valer o pregado pela Carta Magna nacional.