Millenials e a depressão: como a geração Y é influenciada pelo mundo e o que precisa mudar
Enviada em 30/03/2024
Em seu livro “Piranesi”, Susanna Clarke trata sobre solidão e doenças mentais de forma alegórica, problema persistente na sociedade brasileira. Nesse contexto, a geração denominada “millenials” sofre particularmente com grande número de casos de depressão. Dessarte, faz-se necessária a desmistificação da doença em si e uma análise dos fatores externos que podem impulsiona-la.
Primeiramente, é perceptível que a persistencia de estigmas sobre a depressão na sociedade brasileira surge de uma falta de compreensão sobre o tema e resulta em sua invisibilidade e negligência. Dessa forma, Carl Sagan defende em seu livro “O Mundo Assombrado Pelos Demônios” como a interpretação distorcida sobre determinado assunto pela sociedade pode resultar em consequências nefastas. De fato, a depressão, assim como outras doenças mentais, é muitas vezes vistas como fraqueza ou falta de religiosidade e as pessoas que sofrem com essa doença são muitas vezes excluídas em diferentes contextos. Portanto, torna-se imperiosa a desconstrução dessa falsa percepção e o entendimento de que a depressão é uma doença que afeta a biologia humana e deve ser tratada.
Ademais, a realidade externa é uma variável que contribui para o surgimento ou agravamento da depressão. Desse modo, as duas últimas décadas foram marcadas por transformações tecnológicas e sociais que mudaram drasticamente o modo como as pessoas se relacionam, como a ascensão de redes sociais e do espaço virtual. Logo, a pressão social que molda o comportamento dos indivíduos, conceito defendido pelo filósofo moderno Rosseau, é exercida a todo instante, seja na vida real, seja na internet. Dessa maneira, as pessoas passam a se comparar de forma tóxica e se tornam cada vez mais conscientes de suas frustrações e falhas.
Diante do exposto, urge a necessidade de intervenção estatal. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, realizar palestras que visem conscientizar as pessoas sobre depressão e pressões sociais. Tais palestras devem contar com psicólogos e psiquiatras, além de cientistas sociais de destaque, e devem focar na desmistificação da doença mental e no uso saudável das redes sociais. Dessa forma, um Brasil próspero e consciente será construído.