Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/08/2018

Abrigos da salvação

Fome e sede. Frio e calor. Passar a noite ao relento, sem segurança e qualquer conforto. A dura realidade de pessoas sem moradia no Brasil ainda é uma questão não solucionada. Apesar de o país almejar um nível de desenvolvimento econômico e político  elevado, a preocupação com fatores sociais - como o caso dos desabrigados - tem sido, muitas vezes, minimizada. As causas dessa problemática são diversas, e suas consequências, catastróficas na vida de quem sofre. Que fatores podem explicar esse cenário?

A falta das condições necessárias de se ter uma moradia demonstra o nível máximo de decaimento no padrão de vida de um ser humano. Por isso, a revista Istoé, em maio de 2008, publicou uma pesquisa mostrando que as três principais causas de pessoas viverem nas ruas são o vício - como o das drogas e o alcoolismo -, o desemprego e os problemas familiares. Esses aspectos retratam a fragilidade do sistema social vigente, em que se nota dificuldade nas relações humanas pessoais e financeiras; e quem sofre com isso acaba sendo marginalizado, por conta da falta de compaixão para com as necessidades do próximo, gerada pelo egoísmo, fruto dessa fragilidade.

As consequências desse gravíssimo quadro de falta de moradia a essas pessoas são duras. Como passam necessidades, não possuem capacidade de se alimentar adequadamente, e acabam tendo de mendigar; em casos extremos, chegam a cometer crimes para conseguir algo de comer e beber a fim de sobreviver. Esse é um dos diversos motivos pelo qual aumenta o preconceito para com quem é desabrigado, excluindo-os dos quadros social e até mesmo humano. Assim, muitos dos que estão submetidos a tais condições sofrem danos psicológicos, além da desesperança com a vida.

Sendo assim, é preciso que as pessoas sem lar voltem a ser lembradas e acolhidas. Portanto, seria essencial a criação de novos abrigos sociais, principalmente em terrenos inutilizados, feitos pelas secretarias da educação e da saúde em parceria com ONGs do ramo, abrigando quem precisa de uma casa, e oferecendo-lhes profissionais específicos e capacitados para esses casos, como psicólogos, médicos e nutricionistas, para os cuidados básicos e essenciais; na questão de manutenção dos abrigos, os próprios usuários podem trabalhar para economizar gastos e aprenderem a zelar pelo benefício. Diante disso, tais vidas poderão ser dignas.