Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/08/2018
Vício em álcool, drogas, desemprego, desestruturação familiar e desilusões: alguns dos fatores que levam pessoas a se tornarem moradores de rua. A existência de um número expressivo de brasileiros vivendo em condições degradantes, como em calçadas e embaixo de viadutos, pode ser tida como uma das principais marcas da desigualdade social que há no país. De tal modo, a realidade dos indivíduos em situação de rua é agravada pela falta de mobilização do Estado e pela forma banal como a sociedade trata o problema.
Embora a Constituição de 1988 defina a moradia como um direito básico que cabe à todos, tal garantia não efetiva-se na realidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 100 mil brasileiros estão em situação de rua, fato que deixa claro a gravidade do problema e a falta de atuação do Estado para intervir no mesmo, uma vez que, políticas públicas para retirar esses indivíduos das ruas ou amenizar seu sofrimento mal existem atualmente. Logo, diferentemente de iniciativas como a da ONG americana “Mobile Loaves and Fishes”, que construiu uma vila com moradias e tratamento de saúde para os sem-teto, o governo brasileiro continua sem ação.
Além disso, a sociedade acostumou-se a encarar a falta de teto como algo “normal” e ignorá-los. O filósofo francês Bordieu afirma que os indivíduos estão sujeitos a incorporar e reproduzir a estrutura social na qual estão inseridos, mesmo que inconscientemente e, diante de tal perspectiva, é possível notar como o ato de banalizar os moradores de rua flui pela comunidade e gera uma invisibilidade social. Assim, tal invisibilidade não só contribui para que a situação de moradia em rua perpetue-se como também afeta a autoestima desses indivíduos que são ignorados, podendo causar danos profundos como o surgimento de depressão.
Portanto, a fim de amenizar os problemas relacionados à moradia em rua no Brasil, é essencial que o Estado, em parceria com ONGs, desenvolva projetos de melhoria de vida para as pessoas que estão sem teto, mediante a construção de casas para a ocupação temporária e o contato com meios de profissionalização, permitindo a reinserção no mercado de trabalho e na sociedade. Ademais, visando reduzir a invisibilidade social, as escolas poderiam promover a interação com tais indivíduos, por meio do incentivo à criação de grupos para ajudar nos sopões comunitários e realizar peças periódicas nesses centros, trazendo, assim, um pouco de felicidade numa realidade tão dura.