Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 29/08/2018
Bicho Homem
“Vi ontem um bicho / na imundice do pátio / catando comida entre os detritos / o bicho não era um cão / não era um gato / não era um rato / o bicho, meu Deus, era um homem”, esse é o cenário vivido pelos moradores de rua representado pelo poeta Manuel Bandeira. Indubitavelmente, essas pessoas vivem em situações precárias, na grande maioria sem o amparo do Estado, tendo como consequência, o questionamento “eles são considerados cidadãos? ”
Primeiramente, é inegável o quanto essas pessoas tornaram-se “invisíveis” aos olhos da sociedade. Com isso, a população os torna alheia e os abandona à margem, omitindo a certeza de que também são seres humanos. Ademais, esses indivíduos vivem em locais insalubre, sem condições dignas de higiene, à mercê da fome e de doenças. Visto que, cerca de 30% chegaram às ruas devido ao desemprego e problemas financeiros, perdendo apenas para alcoolismo e drogas que marcam um percentual de 35,5% (dados do jornal online G1). Destarte, assiste-se uma paisagem contrária àquela pregada pelos Direitos Humanos.
Outrossim, o Artigo 6º da Constituição Brasileira, dá o direito à saúde; alimentação, moradia e segurança. Todavia, não se assiste o cumprimento desse Direito, pois em 2015, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) marcou o número de 101 mil moradores de rua. Além disso, o amparo do Estado abrange uma parcela mínima, um bom exemplo é o filme “A Procura da Felicidade”, estrelado pelo Will Smith, que retrata a dificuldade das pessoas de entrarem em abrigos públicos e muitos dos indivíduos não conseguem, permanecendo nas ruas. Assim sendo, exibe a obrigação de meios que mudem a vida dessas pessoas. Logo, são necessárias políticas públicas exequíveis para mudar tal panorama tão grotesco.
Com isso, é dever do Congresso Nacional criar políticas públicas que dão apoio aos moradores de rua, oferecendo abrigos que abrangem a todos, como também, alimentação gratuita e diariamente, para que, as pessoas possam ter as condições mínimas para sobrevivência. Além disso, cabe ao Estado, oferecer cursos profissionalizantes gratuitos, com o intuito deles adentrarem ao mercado de trabalho e diminuir os índices de moradores de rua, e para aqueles dependentes do alcoolismo e drogas, o Governo tem que proporcionar meios de uma reabilitação em clínicas, podendo assim cumprir o Direito do Cidadão para todos. Sendo assim, dar outro sentido à vida do “bicho homem” apresentado pelo Manuel Bandeira.