Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 25/08/2018

O período que se seguiu após o fim da Segunda Guerra Mundial foi palco de profundas mudanças em diversas esferas da sociedade. E, no Brasil, não foi diferente, em consequência do processo de desenvolvimento rápido e desordenado vivido, o país enfrenta problemas complexos dentro de sua comunidade relacionados à população em situação de rua. Diante dessa questão, urge a necessidade de se debater e de compreender as causas e o impacto de tal assunto na sociedade.

Em um primeiro momento, é importante constatar como a estrutura socieconômica foi modificada ao longo da história do país. Após anos de recessão e alta inflação, o Plano Real transformou o cotidiano das famílias brasileiras ao possibilitar um aumento de seu poder aquisitivo. Por outro lado, essa nova realidade não atingiu uma parcela da população que ainda se encontra em um estado de extrema carência material, não conseguindo obter as condições mínimas de vida com meios próprios.

Outrossim, torna-se imprescindível analisar a função do Estado como principal agente  do processo de garantia dos direitos básicos para a sociedade. Dessa forma, os desafios da população se intensificam diante das profundas desigualdades sociais presentes no país, uma vez que, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os índices de pobreza extrema e violência aumentaram drasticamente na última década. Essa conjuntura, na qual o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis (como direito à moradia e segurança) para a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, expõe a parcela carente a uma condição ainda maior de vulnerabilidade social.

Nesse contexto , cabe uma reflexão acerca da situação da população em meio ao crescente impacto da modernidade na organização social. A fluidez dos vínculos humanos, característica do processo de globalização, atinge diretamente a forma como o homem interage com seus semelhantes. As relações volúveis e efêmeras, decorrentes do individualismo e vinculadas à busca pelo acúmulo monetário, resultam na indiferença em relação ao próximo. Assim, a falta de habilidade do ser humano em lidar com tal situação tem sido mascarada pela invisibilidade seletiva sobre a população precária.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a Escola, em consonância com o Poder Público, promova a formação de cidadãos críticos e ativos quanto às mazelas sociais, por intermédio de palestras, debates e cursos de formação profissional para que atuem de maneira efetiva em suas comunidades. Além disso, é imprescindível que o Estado destine maiores investimentos, advindos da arrecadação pública, na criação de planos efetivos de segurança e educação que correspondam as necessidades de cada comunidade com o objetivo de oferecer à população condições dignas de vida.