Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 25/08/2018

O personagem latino Chaves, interpretado por Roberto Bolanos, chegou ao fim da série da mesma forma que a iniciou: em situação de rua. Fora das telas, a falta de perspectiva de mudança também acomete milhares de brasileiros expostos a essa realidade, haja vista a inoperância do sistema estatal aliado ao estigma social a que são submetidos.

Mormente, ações promotoras de cidadania - previstas pela Política Nacional de Pessoas em Situação de Rua - não têm alcançado êxito desde a sua implementação, em 2009. Isso porque, segundo dados governamentais, essa parcela populacional aumenta em 0,5%  a cada ano nas grandes metrópoles. Tal incremento expõe a fragilidade no acesso à moradia, inclusão educacional, e reinserção socioeconômica necessárias à reversão desse problema.

Concomitante à dimensão política, há uma cultura de subvalorização do morador de rua. Uma vez que muitos são químico-dependentes, esse grupo sofre com a invisibilidade seletiva e estereotipagem. Assim, as pessoas ignoram as histórias e subjetividade presentes em cada vida, perpetuando a condição marginalizante. Tal fato é corroborado por Erving Goffman, ao descrever o papel de posturas negligenciadoras como reflexo da incapacidade de aceitação plena, bem como da identificação de grupos com vivências paralelas.

Dessa forma, faz-se essencial o aprimoramento das medidas assistenciais e a mudança de percepção coletiva sobre esses indivíduos. Cabe, portanto, ao Estado promover o acesso à moradia, por meio da reforma de prédios abandonados que não cumprem função social, realizando o cadastro de moradores de rua e os inserindo em projetos assistenciais de ONGs, a fim de incentivar a cidadania prevista como direito a todo brasileiro. Ademais, cabe às instituições de ensino desestimular a invisibilidade seletiva, por meio de debates em centros comunitários e redes sociais, visando desconstruir a indiferença que sentencia os moradores de rua à inércia existencial.