Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 25/08/2018

No final do século XIX, com o advento da Revolução Industrial, o Brasil recebeu um vultoso contingente populacional. No entanto, a sociedade brasileira detinha uma incipiente urbanização, fator responsável por acentuar as conglomeradas ocupações em vias públicas. Assim, em meio a lógica capitalista, explicitamente gananciosa, os moradores de rua prevalecem negligenciados no país tropical, o que constitui uma alarmante problemática social.

Em primeira análise, é válido considerar que a Constituição Federal de 1988 possui como objetivo principal assegurar aos cidadãos os direitos à moradia, saúde e educação. Entretanto, tais garantias não são usufruídas, de maneira plena, por grande parte dos brasileiros, uma vez que o Estado hodierno, dotado de interesses econômicos, prioriza a concessão de tais direitos à população economicamente ativa, visto que esta é dirigente do PIB brasileiro. Nesse viés, envoltos pela miséria social e invisibilizados pelo Governo, parte considerável dos moradores de rua procuram alternativas a fim de proverem sua sobrevivência- alguns conseguem adentrar no trabalho informal, como por exemplo vendedores ambulantes, já outros partem para meios nefastos, tais como a realização de furtos, o que coloca em jogo a segurança pública. Desse modo, fica transparente a sabedoria do filósofo Santo Agostinho ao afirmar que “A necessidade não conhece leis.”

Em segunda análise,é primordial avaliar que a maioria dos cidadãos brasileiros segue a linha governamental e trata os moradores de rua como indigentes, por conseguinte, menosprezam a situação destes no país e até mesmo agem com desrespeito.Tal situação evidencia-se na atitude do restaurante paulista “Flor do Paraíso”,que inseriu uma placa no estabelecimento com o intuito de informar aos frequentadores a não possibilidade de encomendar refeições para serem entregues à moradores de rua. Assim, é  notório que a lógica individualista e egocêntrica que permeia a sociedade contemporânea influi diretamente nas relações coletivas,o que torna-se um desafio à construção de um país justo e igualitário.

Portanto, é indubitável a adoção de medidas capazes de alterar a situação lastimável dos moradores de rua. Posto isso, cabe ao Governo Federal em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, realizar a criação de repúblicas destinadas aos moradores de rua e os ofertarem seus direitos básicos; além disso,´é imprescindível a maior disponibilização de verbas ao Programa Operação Trabalho PopRua e posteriormente, ampliar sua divulgação. Ademais, é de extrema relevância que a sociedade coloque em segundo plano interesses econômicos e crie compaixão pelo próximo, é interessante que tal fato inicie-se com a realização de atos caridosos aos necessitados.