Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/08/2018
A presença de moradores de rua no cenário mundial apresenta um crescimento vertiginoso. O número de cidadãos que vivem nas ruas, viadutos, em prédios abandonados, com pouca ou nenhuma salubridade, cresce por diversos fatores, entre eles: uma falta de moradia fixa, perda de emprego, conflitos familiares. No Brasil, essa situação não é contrária, pessoas em situação de rua, negligenciadas pelo Estado e governantes, convivendo com o medo e o abandono.
É válido destacar, antes de tudo, que o ser humano reflete aquilo que incide sobre ele. O cenário de viver nas ruas é estarrecedor, potencializado pela violência. Achar-se em ausência de proteção, seja por uma casa ou por segurança pública, viabiliza a ocorrência de casos de espancamentos, roubos de pertences pessoais, mortes. Como exemplo, a morte de três moradores de rua que tiveram seus corpos cobertos por álcool e depois queimados por suspeitos que não foram identificados e, assim, impunes dos seus atos, em Salvador. Nessa perspectiva, a sensação de que essa parcela da população é diminuta, faz-se com que essas condutas sejam expressivas.
Além disso, a esfera capitalista corrobora para a perpetuação desse cenário. Ao ter o modelo de produção Toyotista - alto rendimento com custos minimizados - os grandes empresários modificaram o perfil profissional. Por ser um sistema de produção que visa alta produtividade, os profissionais que atenderão a essa conjuntura será aqueles que possuem qualificação e possa ser multifuncional, ou seja, menos mão de obra será necessária. Dessa forma, o corte de empregados resulta no crescente índice de desemprego, assim na ausência de um recurso financeiro as ruas se transformam na única alternativa viável. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), 30% das causas que levam os indivíduos a morarem nas ruas é devido ao desemprego.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para a modificação dessa circunstância. Para isso, é necessário que os municípios realizem campanhas em outdoor, folhetos com conteúdos que ilustrem o cotidiano, o sofrimento e a invisibilidade dessa parcela da sociedade. Assim, o processo de alteridade do cidadão para com os moradores de rua poderá ser assíduo e os casos de agressão existir somente no passado.