Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/08/2018
A invisibilidade social é um fenômeno psicossocial onde o ser é tornado invisível por sua “irrelevância social”, de acordo com o psicólogo Fernando Braga da Costa. Infelizmente, nessa conjuntura estão inserido os moradores de rua; os quais aumentam exponencialmente nas cidades brasileiras devido à uma representatividade mínima no setor público, a qual fomenta a indiferença supracitada mesmo após a elaboração do Plano Nacional para População em Situação de Rua.
A existência de tal projeto, apesar de ser uma etapa importante no combate a condição degradante de muitas pessoas em vulnerabilidade, por si só é insuficiente. Elaborado desde 2008, o programa ainda não foi implementado em algumas das principais cidades do país, como é o caso do Rio de Janeiro. Essa região é um exemplar de como uma ineficiente gestão pública pode dificultar a aplicação de bons projetos sociais e ir contra a mitigação de situações injuriosas. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, esse grupo triplicou entre 2014 e 2016 no Estado carioca.
Aliada a gestões deficitárias, a ausência de representantes dos moradores de rua no setor público contribui para manter escamoteados os direitos desses cidadãos. Conforme a Coordenadora Estadual do Movimento Nacional de População em Situação de Rua no Rio de Janeiro e ex-moradora de rua, Maralice dos Santos, é preciso escutar diretamente desses indivíduos as suas necessidades a fim de elaborar e executar políticas públicas para os ocupantes das ruas.
Portanto, Organizações Não-Governamentais como o Projeto Rua e o Projeto Olhe, as quais já implementam ações educativas, de saúde e também promovem oportunidades de emprego, podem fazer uso das informações colhidas diretamente desses moradores a fim de elaborar ações civis para pressionar os governantes a agirem de forma contundente no combate a “visibilidade seletiva” presente no cotidiano nacional.