Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 25/08/2018
Na Mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, mas era vencido pela exaustão e a pedra retornada à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos moradores de ruas os quais buscam ultrapassar as barreiras, as quais os separam do direito à existência. Nesse contexto, não há dúvidas de que a questões social dos moradores de ruas é um desafio no Brasil, o qual ocorre, infelizmente, devido à negligência governamental e ao preconceito da sociedade.
A Constituição cidadã de 1988 garante inclusão de todos individuos, todavia o Poder Executivo não efetiva esses direitos. Consoante, Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos homens. Por conseguinte, se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no país à medida que a oferta não apenas de uma educação inclusiva, como também da preparação de locais especializados para receber esses moradores - em sua maioria usuários de drogas - não está presente em todo território nacional. Consequentemente, os direitos permanecem no papel.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos moradores de rua nas grandes capitais. Tristemente, a existência da discriminação contra os moradores é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segunda pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, é fundamental uma mudança nos valores da sociedade par transpor as barreiras à formação de moradores de rua.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver o problema. Cabe ao Ministério de Orçamentos da União, em conjunto com governos estaduais, investir na construção de leitos de apoio aos dependentes químicos, com profissionais preparados e especializados nos cuidados com esses, uma vez que o Artigo 5° da Carta garante os direitos essenciais à vida. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, criar um projeto de lei para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, e apresentações artísticas a respeito do cotidiano dos moradores de rua e seus direitos - uma vez que atividades culturais coletivas têm imenso poder transformador. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.