Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/08/2018

“Em um mundo onde existe uma riqueza de informação, existe frequentemente uma pobreza de atenção.” A máxima do político Ken Mehlman ilustra o contexto hodierno brasileiro, no qual observa-se as minorias excluídas, mas pouco se faz para acabar com a indiferença, o preconceito, ou melhorar a qualidade de vida da população vítima do abandono social. Desse modo, evidenciam-se políticas públicas ineficientes, bem como a contribuição que a desestruturação familiar tem no aumento de moradores de rua. Destarte, é imprescindível que o Estado juntamente com a sociedade reformule as medidas adotadas objetivando o desenvolvimento social e a erradicação dessa mazela.

A priori, são esporádicos os casos envolvendo moradores de rua solucionados com maestria. Nessa perspectiva, a atenção dada aos desabrigados pelo Governo é praticamente nula, por priorizar outras áreas em questão, como exemplo dos venezuelanos que se refugiaram em Roraima e passaram a viver em situação de rua somando-se aos milhares de brasileiros na mesma situação. Em face dessa conjuntura, esses “invisíveis” acabam não tendo acesso a direitos como a saúde de qualidade, revelando as desigualdades e o não cumprimento do artigo 3 da Constituição devido a continuidade de mazelas como a pobreza e no caso dos imigrantes a discriminação e violência.

A posteriori, a rua torna-se uma opção para os que vivenciam desavenças familiares e a falta de apoio. Haja vista que problemas como alcoolismo e uso de drogas, aliado a falta de auxílio dos parentes fazem muitos dependentes químicos optarem por saírem de suas moradias, como aponta uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social. Em decorrência disso, muitos acabam se sujeitando a fome e as mais precárias condições de vida, morando em locais abandonados ou a céu aberto e contando com a ajuda daqueles que não os tratam como invisíveis e ainda os oferecem algum auxílio, mediante a negligência governamental e de suas famílias.

Dado o exposto, fica evidente a iminência em cessar a problemática. Assim sendo, o Estado deve assegurar a melhoria das políticas públicas relacionadas aos desabrigados, por meio de parceria com empresas privadas, criando acordos para promover a reforma de imóveis que estão em desuso com o propósito de tornarem-se moradias para as pessoas em situação de rua, além de estimular campanhas de cadastramento em programas sociais para pessoas em situação de rua, com o objetivo de assegurar a manutenção de seus direitos. Paralelamente, as universidade que ofertam cursos nas áreas médicas e psicológicas, em parceria com o Ministério da Saúde, podem desenvolver ações que levem tratamento aos dependentes químicos de forma gratuita, por meio de campanhas governamentais contínuas, mobilizações, com o fito de atingir o bem-estar coletivo.