Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/08/2018

Segundo o Instituto Brasileiro de pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Brasil possui mais de 100 mil moradores de rua, de acordo com dados de 2015. Em São Paulo, no mesmo ano, o número chegou a 15.905, 10% a mais que no ano de 2011, conforme informações do Censo da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Logo, fica claro que o número de pessoas em situação de rua é uma crescente evidência das fragilidades sociais no território brasileiro e necessita de ações imediatas e eficazes em diversas áreas para diminuir sua incidência.

Primeiramente, é necessário se atentar para os muitos motivos que levam as pessoas à rua e empenhar-se em agir neles. Para isso, é importante considerar que se trata de uma questão enraizada historicamente no Brasil, principalmente devido ao êxodo rural, que ocorreu na segunda metade do século XX e levou muitos migrantes do campo a morar nas ruas devido a dura realidade encontrada nas cidades. Atualmente, o alcoolismo e as drogas são os principais motivos das pessoas viverem nas ruas, 36% de acordo com a revista “Isto É”, seguidos pelo desemprego e por problemas familiares, ambos com 30%.

Ademais, após estarem nas ruas, essas pessoas são condicionadas a viver com o desprezo do restante da população. Como foi retratado no poema “O Bicho” de Manuel Bandeira, os moradores de rua muitas vezes são tratados como animais, isso quando são vistos porque, diariamente, são obrigados a lidar com invisibilidade social a que são submetidos. Além disso, são, frequentemente, utilizados como objetos de uso midiático oportunista por alguns grupos voluntários que estão mais interessados em se promover do que auxiliar essas pessoas de fato.

Entende-se, portanto, a complexidade da situação dos moradores de rua no Brasil e a necessidade de intervir nessa questão. À princípio, cabe às Secretarias de Habitação de cada cidade alojar essas pessoas, podendo, para isso, fazer uso de imóveis inativos. Posteriormente, os Ministérios da Saúde e da Educação têm a incumbência de investir em projetos de assistência psicossocial e capacitação da mão-de-obra, respectivamente, possibilitando a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Por fim, cabe aos meios midiáticos auxiliar na inclusão social delas por meio de séries, novelas, documentários, etc. que retratem as dificuldades e o sofrimento enfrentados por esses moradores de rua.