Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 27/08/2018

“Vi ontem um bicho/ Na imundície do pátio/ Catando comida entre os detritos.” O poema “O bicho” do escritor, brasileiro, Manuel Bandeira retrata a realidade de muitos brasileiros quem vivem em condições subumanas, de modo que são tratados, na maioria das vezes, como “invisíveis” sociais. Dessa forma, necessita-se analisar os fatores que contribuem para que haja um número indiscriminado de pessoas em situação de rua.

Historicamente, os governos têm dificuldades, ou pouca preocupação, em relação aos indivíduos marginalizados pela sociedade. Durante a reforma Pereira Passos, a população foi a mais prejudicada, visto que as pessoas foram expulsas de suas casas, que eram localizadas no centro, tendo que morar em morros. Hodiernamente, esse descaso, ainda, perpetua-se, principalmente, no que tange aos moradores de rua. De acordo com os dados divulgados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mais de 100 mil pessoas estão em situação de rua no Brasil, esse cenário ocorre porque criar políticas públicas e fazer investimentos demanda tempo, logo, não haveria um grande impacto eleitoral.

Além disso, nota-se que o exacerbado individualismo corrobora para que continue a invisibilidade social no que se refere à situação dos moradores de rua. Isso acontece porque, na pós-modernidade, as pessoas conforme defendia o sociólogo Zygmunt Bauman da obra “Amor líquido,” buscam a não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muitas vezes, não se importando com o próximo.

Portando, o Governo Federal deve criar políticas públicas de auxílio às pessoas de classe baixa, por exemplo, programas sociais quem complementam a renda dos mais pobres, como o Bolsa família, para que diminua a desigualdade social no país. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio. De modo, que essas aulas têm o objetivo de desconstruir o individualismo já arreigado na população.