Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/08/2018

Segundo Zygmunth Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações políticas, sociais e econômicas caracteriza a  “modernidade líquida” do século XXI. Nesse ínterim, observa-se que a complexidade da situação dos moradores de rua se apoia em pilares instáveis na contemporaneidade. Com isso, urge uma análise do panorama brasileiro a respeito do grupo social, com o intuito de combater a violência sofrida e proporcionar aspectos que fomentem a dignidade assegurada constitucionalmente.

É indubitável que a questão econômica esteja entre as causas dos atos violentos direcionados às pessoas em situação de rua. De acordo com Adela Cortina, filósofa italiana, o fenômeno que se alastra denomina-se “aporofobia”, uma aversão ao pobre, condição comum aos moradores do espaço público que fazem desse sua propriedade privada, o que incita um incômodo incompreensível por parte de indivíduos covardes que chegam a praticar crimes bárbaros, como a queima do índio Galdino, em Brasília. Logo, evidencia-se a intolerância como fator a ser combatido na mentalidade social brasileira.

Paralelamente a isso, destaca-se a questão constitucional e sua aplicação como impulsionadoras do crescimento da população vulnerável. Segundo Aristóteles, a política deve ser aplicada, de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado socialmente. Consoante ao filósofo, infere-se que, no Brasil, a Política Nacional para População em Situação de Rua rompe com essa harmonia, haja vista que, apesar da existência teórica da conduta pública intervencionista, a efetividade da implementação não se consolidou, o que acarretou, por exemplo, a triplicação da classe mencionada, no Rio de Janeiro, entre 2014 e 2017. Diante disso, uma revisão na postura pública torna-se urgente.

Entende-se, portanto,que os moradores de rua são alvos de uma intolerância social somada à ineficiência administrativa pública na contemporaneidade. Assim, é imperativo que os professores organizem campanhas como a “Quem se dá bem com gente, se dá bem na vida.”, de São Paulo, em 2015, com o fito de envolver seus alunos e incitar o respeito as diferenças na heterogeneidade brasileira. Ademais, urge que, as Secretárias de Desenvolvimento Social implementem projetos, em âmbito nacional, como o Programa Operação Trabalho Pop Rua , a fim  de proporcionar trabalho, salário e por conseguinte uma melhor condição de vida ao público-alvo. Desse modo, o Brasil apresentará, gradativamente, bases sólidas à dignidade dos invisíveis socialmente.