Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 26/08/2018

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como este, composta por partes que interagem entre si. A partir disso, para que esse organismo funcione perfeitamente é imprescindível que todos os cidadãos tenham seus direitos básicos garantidos e seus deveres cumpridos. Todavia, na prática isso não ocorre no Brasil, pois parcelas sociais, como os moradores de rua são deixados à margem da sociedade, em decorrência de más políticas governamentais e modelo capitalista instalado no país.

Em uma primeira análise, é válido observar que a negligência do governo nutre caminhos para a formação de um número maior de pessoas sem moradia. Isso ocorre, por exemplo, quandoofertas de empregos para todos e responsabilidade com a escolaridade completa dos cidadãos. Sob essa ótica, a escolha de morar nas ruas, muita das vezes, está relacionada com a falta de emprego e a precária escolaridade, segundo uma pesquisa feita pela revista Istoé, em 2008, o que gera uma ausência de oportunidades no mercado de trabalho, juntamente com os elevados preços do metro quadrado das cidades, tendo como uma única saída viver mendigando. Nessa perspectiva, quando o Governo não oferece os meios necessários para viabilizar chances de uma vida básica e digna para os indivíduos, acaba fomentando a expulsão e exclusão desses preteridos dos núcleos sociais.

Outrossim, vale destacar que o modelo capitalista estabelecido no país potencializa ainda mais o aumento do número de moradores de rua. Tal fato ocorre, pois esse modelo é caracterizado pela lógica de propriedade privada e lucro, isto é, só tem acesso a moradia aqueles que possuem dinheiro suficiente para pagar por ela. Parafraseando o filósofo Paulo Arantes, da USP, o capitalismo oferece inúmeras opressões, seja econômica, social, cultural ou política, pois contribui para separar os indivíduos por categorias e tratá-los como negócio, ao invés de instituir uma base igualitária a todos. Em consequência desse quadro, surge a segregação socioespacial, um fenômeno atual que literalmente divide a sociedade em grupos com e sem poder financeiro para habitar um lugar digno.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de mudança no cenário social e político a respeito dos moradores de rua. Para reverter esse quadro, é necessário que o Governo invista em políticas públicas que assegurem direitos básicos a todos. Tal ação pode ser feita com a criação de projetos, com ONG’s, que recolham moradores de rua, por assistentes sociais e ofereçam escolaridade e cursos técnicos para aumentar a profissionalização dessas pessoas, logo, as chances no mercado de trabalho,além de oferecer insumos às empresas que contratarem ex-moradores de rua. Essas medidas têm por objetivo fornecer a energia de ativação mínima para contribuir com a inclusão social desses preteridos.