Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/08/2018
De acordo com Nelson Mandela, ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que melhore e respeite a liberdade dos outros. Todavia, o país não conseguiu desprender-se das amarras de uma sociedade coercitiva, haja vista o elevado número de “cidadãos” nas ruas. Cenário decorrente não só da falta de moradia, com também pela escassez de assistência social.
Há um déficit habitacional, no entanto não faltam prédios. Tal paradoxo confirma-se em São Paulo, uma vez que, segundo o G1, a cidade carece de 360 mil moradias e possui 1400 imóveis ociosos. Nesse viés, é notório que a problemática abrange tanto fatores quantitativos, quanto qualitativos. O país possui muitos terrenos sem função social, consequência da alta especulação imobiliária. Além disso, há muitas moradias impróprias à habitação. Tal conjuntura confirma-se com o incêndio e demolição do edifício Wilton Paes Almeida, fruto das más condições de infraestrutura.
Ademais, esses indivíduos são invisíveis aos olhos do Estado e da sociedade. Isso porque, mesmo sendo um direito constitucional, o governo não lhes oferecem acesso à saúde, educação, nem moradia. Assim, não é incomum que esses sejam alvos de trapaças. No livro “O Cortiço”, essa atitude é exercida por João Romão, o qual fazia qualquer coisa para se enriquecer. Já na atualidade, essa situação foi observada no edifício incendiado de SP, pois eram cobradas taxas dos moradores.
Infere-se, portanto, que para todos usufruírem dos preceitos deixados por Mandela, compete ao Estado criar um programa social eficiente que distribua habitações às pessoas de rua. É preciso adequar os imóveis já existentes. Além de uma casa, seria eficiente a visita periódica de psicólogos e médicos, a fim de cuidar da saúde mental e corporal desses cidadãos, tendo em vista que muitos são usuários de droga ou alcoólatras, forma de escapismo encontrado por esses. Tais ações visam o cumprimento dos Direitos Humanos, já que viver na rua equivale a voltar a um estado de barbárie.