Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 26/08/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância que ultrapassa o sentido da própria existência. Entretanto, essa não é uma realidade para os moradores de rua brasileiros, que padecem pela débeis condições. Sendo assim, ao invés de agir para tentar aproximar a prática descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, a desigualdade desmedida e uma ideologia retrógrada acabam contribuindo para a degradante situação atual.
Convém ressaltar, a princípio, que pessoas desabitadas representam um problema em várias vertentes públicas, mas principalmente na social, já que essas não são economicamente ativas e vivem à margem da sociedade, em consequência são atingidas por amplos problemas urbanos tendo precárias condições de vida. Nesse contexto, o elevado e crescente número de moradores de rua funciona como a primeira lei de Newton, a norma da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele mudando-o de percurso, no caso tornando ínfima a quantidade de indivíduos pários. Dessarte, diante do débil cenário marcado por graves óbices sociais há uma desproporção entre o posicionamento de Platão e o adotado no País.
Além disso, de acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, a visão sobre os moradores de rua, na maioria das vezes, é estereotipada, uma vez que esses são rotulados pelo preconceito e tidos como invisíveis, porém essa atitude oculta problemas da educação, segurança e habitacionais. Assim, há dificuldade na minimização desses empecilhos, já que ocorre sonegação dos mesmos por preceitos ideológicos. Desse modo, a árdua situação desses cidadãos é um óbice público que reduzido ampliará o acesso à cidadania e corrobora o pensamento de Platão.
Evidenciam-se, portanto, significativas dificuldades na redução da quantidade de moradores de rua brasileiros. Por conseguinte, canais de TV aberta e redes sociais, por meio de peças publicitárias, podem divulgar periodicamente dados relativos a essa minoria, para impactar o interlocutor, com o objetivo de instigar uma mudança na ideologia da população, assim como tornar visível o que nunca pode ser esquecido, que os moradores de rua também são cidadãos e precisam ser reconhecidos. Outrossim, as prefeituras têm de mapear os indivíduos desabitados e disponibilizar vagas em abrigos ou refeições diárias, por meio de parcerias com a iniciativa privada ou ONGs (Organizações Não Governamentais), para que haja o mínimo de valorização cabível. Aumentam assim as chances de se alcançar uma cidadania pragmática e plural em que as pessoas não apenas existam, mas vivam bem.