Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 27/08/2018
O processo de exclusão social demonstrado pela crescente população em situação de rua, é histórico e está intrinsecamente ligado à formação da sociedade brasileira. Nesse ínterim, destacam-se as leis abolicionistas do Ventre Livre, do Sexagenário e a própria Lei Áurea que na prática foi mais uma legitimação da exclusão social de negros e mestiços do que liberdade. Além disso, a lógica capitalista fazia com que a cidadania de homens livres fosse baseada na renda e por conseguinte, na prática, havia direitos apenas para os abastados.
Essa exclusão social progrediu sem que o país tomasse providências e no século XXI, a população em situação de rua se caracteriza pela condição de pobreza absoluta e falta de habitação convencional regular. Associado a essa dimensão econômica, encontra se o principal motivo que leva indivíduos a morarem na rua, o envolvimento com álcool e outras drogas.
Em acréscimo a esse contexto doloroso, esses indivíduos sofrem a invisibilidade seletiva. A naturalização da pobreza faz com que os moradores de rua fizessem parte da paisagem local tal qual objetos. Pesquisadores como o psicanalista Fernando Braga da Costa afirmam que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro e para uma sociedade mais equânime é necessário mudar esse comportamento.
A questão dos moradores de rua é multifatorial, sendo, portanto, necessária várias frentes de intervenção. Ações governamentais para diminuir as desigualdades sociais e ações da sociedade civil organizada para mudar a naturalização da pobreza