Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 27/08/2018

Franz Kafka, célebre filósofo alemão, acreditava ser a solidariedade o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Todavia, ao analisar a situação dos moradores de rua no Brasil, realidade que reflete a exclusão social no solo urbano, conclui-se que muitos brasileiros vivem em condições subumanas. Em contraposição aos princípios constitucionais que, pela Carta Magna, garantem o direito de moradia a todos, expressiva parcela dos cidadãos nacionais não têm uma residência. Assim, fica evidente a ineficácia do Estado quando em pauta essa questão. Vítimas da violência, do preconceito e da discriminação, vários são os desafios enfrentados pelos “sem-abrigo”.

Um olhar atento para a história permite perceber que a situação de moradores de rua não é atual: na Roma Antiga, a concentração de terras criou um cenário para a marginalização de muitos, fato que motivou os irmãos Graco defender a reforma na distribuição de terras na república. Embora tenham sido repreendidos de maneira violenta, esse episódio simboliza que a exclusão social e o déficit de moradia são problemas antigos e que se perpetuam até hoje. Nesse viés, segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), cerca de 15.905 pessoas somente em São Paulo se abrigam na rua, sendo a maioria homens negros.

Esse grupo de pessoas é bastante heterogêneo e são diversos os motivos que os levam para as ruas. Em primeiro lugar, o desemprego contribui para que não consigam uma moradia fixa ou até mesmo temporária, haja vista a especulação imobiliária e os altos preços de aluguéis. Ademais, o rompimento de vínculos familiares decorrentes de algum problema pessoal, seja por questões relacionadas ao vício em drogas ou até mesmo homofobia, é um motivo corriqueiro. Sem condições de vida digna, a falta de alimento e de saneamento básico, além de serem vítimas da violência urbana e dos invernos rigorosos, essa realidade dos moradores de rua revela o eixo principal do impasse kafkiano: a falta de empatia pelo outro.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas que coibam a perpetuação dessa realidade e que possam prover melhores condições de vida a todos cidadãos brasileiros. Dessa forma, como solução temporária, é papel do Governo Federal, em conjunto às secretarias municipais, promover políticas que reestruturem albergues noturnos, ampliando suas instalações para acolher mais pessoas e oferecê-las, mesmo que em um curto espaço de tempo, suprimentos básicos. Por outro lado, é importante que a escola, ao fazer um trabalho contínuo com jovens e seus responsáveis, sob a ajuda de psicopedagogos, promova intervenções extra-classe que evitem a evasão escolar, seja por meio de palestras ou minicursos, para que esses jovens possam ter melhores oportunidades de vida.