Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 27/08/2018
Com a criação da Lei de Terras, em 1850, o terrítório brasileiro se transformou em mercadoria, o que ocasionou o aumento de pessoas desabrigadas no país, tendo em vista que a maior parte das terras ficaram nas mãos dos grandes latifundiarios. Entretanto, mesmo com os avanços ao longo dos anos, o Brasil ainda encontra obstáculos para garantir o acesso a habitação regular. Nesse contexto deve-se analisar como o descaso da sociedade e a falta de assistência governamental e influenciam na problemática em questão.
Segundo o filósofo Pierre Bordieu, a sociedade participa de um ciclo de reprodução e admiração àquilo que é considerado ‘‘padrão’’. Seguindo esse raciocinio, um morador de rua, que a usa como forma de sobrevivência, é visto pela sociedade de maneira excludente por não se encaixar nesse ‘‘padrão’’, que é a moradia fixa. Dessa forma, é notório a necessidade em entender como a concentração fundiária proporciona a ascenção dos moradores de rua e consequentemente a exclusão social desse grupo, para que os menos favorecidos tenham os seus direitos de cidadão negligenciados e não se tornem sujeitos a violência urbana, além dos fatores abióticos do meio, como chuvas e temperaturas baixas.
Outrossim, a ineficiencia governamental também contribui para o aumentos dos indices de moradores de rua. Para Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. Analogamente, observa-se que o Governo rompe com essa harmonia, haja vista que, embora a moradia, a alimentação e a saúde sejam direitos básicos garantidos pela Constituição, para os moradores de rua eles lhes são negados. Além disso, em decorrência de problemas pecuniários, diversas pessoas se submetem a viverem em situação de rua, fato que é danoso para a sociedade, tendo em vista o auxilio para a manutenção da desigualdade social, bem como a diminuição do índice de desenvolvimento humano daquela região.
Entende-se, portanto, que a situação dos moradores de rua no país vem agravando-se e marca um intenso fato social. Para atenuar o problema, é preciso que o Governo Federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, elabore programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, alimentação, saúde, higiene e a proteção para eles. Ademais, o Ministério da Educação deve criar campanhas lúdicas e informativas sobre a importância da empatia e da participação social, com o intuito de atrair a atenção da comunidade e atenuar o individualismo da população. Afim de minimizar gradativamente esse fato social no Brasil e restaurar o equilíbrio proposto por Aristóteles.