Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 27/08/2018
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, os moradores de rua compõem um grupo altamente desfavorecido no que tange à questão social. Evidencia-se, portanto, uma democracia paradoxal à assertiva do filósofo, ao ignorar a função pública dos mesmos, prejudicando assim a manutenção da sociedade brasileira. Nesse sentido, torna-se necessário analisar a problemática em questão, não só como também, desenvolver estratégias a fim de solucioná-la.
De fato, a lógica capitalista coopera para a proliferação de pessoas em situação de rua, haja vista que os donos dos meios de produção adquirem mais propriedades privadas, expandindo os seus negócios e substituindo o proletariado pelas máquinas, em razão dos avanços tecnológicos, o que gera o desemprego desestrutural. Assim, conforme os dados do IBGE, 24,5% da população brasileira vive abaixo da linha da pobreza, enquanto que 1% dos mais ricos fica com 28% da riqueza nacional e 10% com 55%. Esse contraste, na distribuição de renda, reforça as desigualdades sociais e fomenta o crescimento dos pedintes.
Ademais, é preciso reconhecer que mesmo com as inovações boas proporcionadas pela Revolução Industrial na Inglaterra, a invenção de máquinas promoveu substituição da mão-de-obra. Dessa maneira, percebe-se que diversas empresas no Brasil demitem seus funcionários pelo fato de um dispositivo operar alguma tarefa de maneira mais eficaz e com menor custo de produção. Isso por ser explicado segundo Karl Marx, sociólogo que criticava a classe dominante do capital que se sobrepõe ao proletariado, o que solidifica a ideia de que os donos de tais corporações não se importam com o efeito causado com as demissões, entretanto, apenas querem promover a obtenção de lucro, gerando um abalo no corpo social brasileiro.
Em vista dos fatos supracitados, urge a necessidade de solucionar a questão social dos moradores de rua no Brasil. Destarte, é fulcral que o Ministério do Trabalho, em parceria com a Caixa Econômica promova nas grandes metrópoles, cursos gratuitos sobre empreendedorismo à população das ruas, concebendo após a conclusão empréstimos com taxa de juros baixa, com o intuito de que esses cidadãos consigam ganhar sua própria verba, para se desalojarem das ruas. Cabe ao Ministério da Educação, incluir a parte desses indivíduos que não tem educação escolar completa, por meio de aulas aos fins de semana em escolas locais. Logo, a democracia fluirá para a prosperidade do país.