Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 03/09/2018

No seriado estadunidense “Todo mundo odeia o Chris”, um dos personagens chamado “Golpe Baixo”, por ter perdido o emprego, tornou-se morador de rua e marginalizado na sociedade. Análogo à isso, no panorama atual brasileiro, percebe-se que tal série televisiva configura-se, no que concerne, a vulnerabilidade submetida à moradores de rua no Brasil. Nessa conjuntura, não há dúvidas de que a morosidade estatal, como também, intransigência da sociedade contribuem para perpetuação dessa problemática.

Em primeira instância, é válido salientar que a Constituição Brasileira - promulgada em 1988 - expõe que todos os indivíduos têm direitos básicos de vivência, seja na saúde ou segurança, por exemplo. Não obstante, esse aparato constitucional é confrontado ao se analisar grupos sociais historicamente exclusos como moradores de rua, que são submetidos à altos índices de violência urbana, sobretudo, nas metrópoles brasileiras, como o caso que ocorreu no estado do Rio de Janeiro, em que uma mulher foi morta à tiros, enquanto dormia nas ruas de Copacabana. Diante disso, percebe-se tal mazela societária inversamente proporcional ao pensamento de Aristóteles, que ratificava a política como detentora da felicidade e do bem-estar coletivo.

Concomitante à isso, na obra Harry Potter - literatura contemporânea - o protagonista detém de uma capa que o possibilita a capacidade da invisibilidade o protegendo de feitiços. Nesse ínterim, inúmeros mendicantes são sujeitados ao uso constante desse “manto oculto” imposto por uma parcela preconceituosa  da sociedade, o que deixa evidente o descaso perante esses indivíduos excluídos socialmente e a perpetuação da hierarquização de classes reverberada pelo corpo civil. Dessa forma, essa objeção está diretamente ligada ao raciocínio machadiano, que abordava a falta de virtude moral inerente ao homem.

Desta maneira, é evidente que significativas dificuldades relacionadas à questão social de moradores de rua, assolam no país. Por conseguinte, o Estado, equiparado do Ministério da Segurança Pública, deve viabilizar maior contingente de policiamento, principalmente, em horários soturnos para que haja supressão de todo e qualquer ato violento que seja praticado à população em situação de rua. Além disso, ONGs - como os Anjos da Noite - aliadas ao Ministério dos Direitos Humanos, deve promover campanhas que estimulem o engajamento social e a dissociação do preconceito da população, com iniciativas de mutirões comunitários para viabilizar doações de alimentação, agasalhos e remédios para necessitados nas ruas, no intuito de amenizar essa segregação social e atenuação da realidade árdua dos “Golpes Baixos” brasileiros.