Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 03/09/2018

Chaves, o protagonista sem casa de Roberto Bolaños, chegou ao último episódio da série nas mesmas condições em que o estreou: em situação de rua. Semelhantemente, há pouco mais de 100 mil brasileiros vivendo nas ruas em condição subumana, segundo a pesquisa feita pelo Ipea em 2015. Esse panorama é perdurável diante da falta de assistência governamental e do descaso naturalizado da população em relação ao grupo social.

Em primeiro plano, é notável que os direitos básicos como saúde, moradia e alimentação garantidos por lei, não se validam para os brasileiros em condição de rua. Para que essa população tenha a cidadania resgatada é necessária a atuação do Estado de forma consistente e pontual, levando em conta a heterogeneidade do grupo quanto aos motivos que os levaram a rua e outras particularidades. Nesse contexto, pesquisas apontam que cerca de 70% dos moradores de rua exercem atividades informais e temporárias que não efetivam a ascensão econômica, além disso, a baixa escolaridade e a falta de documentos civis básicos dificultam a inserção no mercado de trabalho formal.

Concomitantemente a essa dimensão político-estrutural, quando o renomado Fernando Braga da Costa, doutor em Psicologia Social, afirma a existência de uma invisibilidade seletiva de acordo com os bens e a função social do indivíduo, percebe-se que a alienação da população frente a essa questão impulsiona os efeitos da exclusão social. Dessa maneira, a naturalidade com que se ilegitima a vida e os estigmas sociais que envolvem os moradores de rua, faz crescer a violência evidenciada pela indiferença e em casos mais graves por homicídios.

Nessa perspectiva, portanto,  para atenuar o problema, é preciso que o Governo Federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, devem criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, alimentação, saúde, higiene e a proteção para eles, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto as emissoras e as redes sociais, que divulguem a situação dessas pessoas, promovendo o engajamento da população, incentivando o sendo de coletividade.