Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 29/08/2018

A capa de invisibilidade

Em seu livro “A hora da estrela”, Clarice Lispector narra a trajetória de Macabéa - nordestina que se muda para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida-, que vive marginalizada na metrópole, sendo notada pela sociedade apenas em sua morte. Contemporaneamente, no Brasil, os moradores de rua assumem esse lugar de invisibilidade. Nessa perspectiva, o constante uso de drogas e a ineficiência do Estado tornam necessária a discussão sobre essas pessoas.

Em uma primeira análise, o auxílio especializado aos moradores de rua que possuem problemas com drogas é uma questão social. Isso porque, essa realidade se agrava no Brasil por conta da alta dependência causada pelos entorpecente, em que sozinhos os usuários não conseguem se livrar, o que demanda uma ação comunitária e estatal para superar essa conjuntura. Nesse sentido, oferecer um tratamento adequado à essas pessoas deve compreender o principal investimento, visto que os dados de uma pesquisa feita pelo portal Isto é apontam que o vício em drogas acomete mais de 35% dos moradores de rua.

Outrossim, para o filósofo Jean Jacques Rousseau, o Estado tem como dever garantir os direitos fundamentais à vida. Indubitavelmente, o descaso estatal para com os moradores de rua no Brasil vai de encontro ao pensamento de Rousseau, visto que fere os direitos básicos dessas pessoas. Isso porque, os indivíduos que se encontram nessa situação estão muito mais propensos a sofrer com a violência das cidades, além de serem excluídos da sociedade. Tal situação fere a dignidade humana, o que torna urgente uma mudança.

Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para mitigar essa problemática. A fim de construir uma sociedade pautada em dignidade, o BNDES, em conjunto aos Governos Estaduais e Municipais, deve promover politicas públicas de auxílio aos moradores de rua. Essas ações estatais devem ser concretizadas por meio da criação de um abrigo que possua uma equipe multidisciplinar(composta por médicos, enfermeiros e assistentes sociais) preparada para lidar com esses indivíduos e com o vício em drogas. Esses locais devem ser instalados em pontos estratégicos das grandes cidades, visando atender o maior número possível de pessoas. Além disso, a população deve fazer sua parte e auxiliar o Governo ao reportar à polícia onde estão localizados os moradores de rua, para que assim o público acometido com essas medidas seja maior, e a cidadania possa ser de fato uma realidade para todos, e não apenas um privilégio de sujeitos ou grupos.