Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 10/10/2018
Diógenes, o Cínico, foi um famoso filósofo que viveu nas ruas de Atenas, tido como um sábio da época, que escolheu viver nas ruas como resposta contra as comodidades e atividades intelectuais dos homens da época. Porém, nos dias atuais, uma parcela significativa da população vive em condição de rua, sem acesso aos direitos básicos garantidos na Constituição brasileira, sendo que poucos escolheram esse estilo de vida nas margens da sociedade. Sua invisibilidade contribui a negligência em garantir seus direitos, tendo como causa questões políticas e sociais, visto a ineficiência do Estado em promover condições de vida dignas à toda a população, como políticas públicas de habitação e emprego, e o menosprezo da sociedade pelos moradores de rua.
Primeiramente, uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima que mais de 100 mil pessoas estão em situação de rua no Brasil, expostos a condições de vida insalubre. Tal cenário evidencia uma falha do Estado em garantir moradia e condições de bem estar social, como previsto na Constituição brasileira, a uma grande parcela da população. Analogamente, tendo visto dados publicados pela revista Isto é, grande parte da população de rua não teve acesso à educação, contribuindo para seu estado de pobreza extrema.
Outrossim, o menosprezo da sociedade pelos moradores de rua, até mesmo cunhado pelo termo aporofobia, que significa rechaço ao pobre, dificulta ainda mais a procura por emprego, o que possibilitaria a saída dessa situação. Além disso, o alcoolismo e uso de drogas é o motivo que levou 36% dos moradores de rua à sua situação atual, evidenciando um problema nas relações sociais que temos hoje, onde a violência e o preconceito destrói famílias e contribui para a perda da dignidade humana.
Faz-se necessário, portanto, que os direitos humanos à moradia e dignidade sejam assegurados. Para isso, as prefeituras devem promover a ocupação de construções desabitadas ou subutilizadas, aproveitando o espaço urbano nas cidades para a moradia de cidadãos em situação de rua, através de um acordo com os donos desses prédios. A sociedade civil deve contribuir também com as campanhas de agasalhos, doação de mantimentos e construção de abrigos voluntários para atender a população, principalmente no inverno. Tais ações humanitárias resultarão numa sociedade mais justa e igualitária.