Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 30/08/2018
‘‘O mundo é um lugar horrível’’. Parafraseando o filósofo Sartre, a situação no Brasil do século XXI é caótica, pois no país há muitas pessoas sem-teto. Nesse sentido, entre os desafios a serem enfrentados sobre esse caos estão não só que essa população é deixada à margem da sociedade, mas também que ela encontra obstáculos para a sua inclusão. Portanto, a coletividade e o poder público devem unir-se para atender essa demanda social.
Em primeira análise, é simplismo da sociedade tratar os moradores de rua como seres invisíveis, uma vez que eles têm o seu valor na condição de ser humano. Diante disso, o jornal de inclusão social chamado ‘‘Aurora da Rua’’, criado em Salvador em 2007, pode mostrar a realidade da população que mora nas ruas da capital, relatando as contribuições culturais e socioeconômicas dos sem-teto para a sociedade. Contudo, ideologias preconceituosas como as de usuários de drogas ou pessoas com problemas mentais utilizadas de forma generalizada contribuem para estereotipá-los como se estivessem ‘’no mesmo bolo’’, já que não conhecem sua trajetória de vida. É preciso, dessa forma, mudar a mentalidade das pessoas sobre estereótipos do morador de rua no território nacional, obedecendo aos Direitos Humanos.
Outrossim, o descaso dos governos não colabora com a inserção desses indivíduos no meio socioeconômico, sobretudo em empregos formais, porque, publicamente, eles não são considerados cidadãos. Uma prova da falta de cuidado do Estado, reportada pela mídia, é que, durante a Copa do Mundo em 2014, muitos mendigos foram retirados das ruas de Salvador enquanto o país recebia estrangeiros, porém, após o fim do evento, eles retornaram às calçadas da cidade. Desse modo, com políticos negligentes e sem a cobrança dos brasileiros para garantir a vida digna aos sem-teto, fica difícil ver mendigos reconstruindo suas vidas, se o problema da falta de apoio estatal continua na espiral do silêncio.
Por tudo isso, cabe à escola em parceria com a família revolucionar ideias preconceituosas em relação aos mendigos, por meio de exemplos de superação de ex-moradores de rua em debates conscientizadores, objetivando estimular os cidadãos a transformarem essa realidade, gerando inclusão social, assim, como disse Paulo Freire, sem a educação a sociedade não é capaz de mudar. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho implementar cursos profissionalizantes a eles, por meio de discussões no plenário, com o apoio do Ministério da Educação, a fim de melhorar a questão da exclusão do mercado de trabalho por meio da capacitação, promovendo atividades remuneradas. Poder-se-á, dessa maneira, mudar a situação da população de rua com a cooperação entre sociedade e setores públicos.