Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 31/08/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra”. O poema, de Carlos Drummond de Andrade, parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, posicionando a obra na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar, que o descaso com os moradores de rua, poderia muito bem ser interpretado como um obstáculo que impede a caminhada do país. Dessarte, implica aludir à exclusão social com seu viés econômico e também a falta de políticas públicas, como principais agravantes da problemática.

Em primeiro plano, convém ressaltar, a invisibilidade desses indivíduos como sendo um fator ligado a um processo histórico e econômico. Nesse sentido, cabe relembrar a ideia de luta de classes, do sociólogo alemão Karl Marx, onde ele reconhece o processo histórico de aversão, como oriundo, sempre, de um luta de classes, em que os mais ricos e bem sucedidos estão no topo, enquanto uma minoria menos favorecida, infelizmente, fica imperceptível. Nesse seguimento, é indubitável que essa parcela populacional vem, lamentavelmente, exercendo o mesmo papel que os das minorias citadas pelo sociólogo. Assim, ocorre similarmente até os dias modernos, tristemente, aspectos financeiros e sociais reprimem uma parte dos cidadãos.

Em segunda análise, é axiomático tratar a ausência de programas sociais como outro agente importante. Outrosssim,  é mister remeter a literatura, o livro Capitães de Areia de Jorge Amado revela ao mundo as condições abjetas em que alguns jovens foram submetidos, por terem como domicílio as ruas cometeram alguns furtos para poder sobreviver, o que permitiu serem ignorados tanto pela sociedade como pelo governo, pois, não existia nenhum planejamento para tirá-los dessa situação e redirecioná-los ao convívio em comunidade. Similarmente, fora da ficção literária, tristemente, o apoio governamental é escasso, mostrando o quanto a realidade ainda necessita dessas políticas.

Infere-se, portanto, que os impasses supracitados urgem medidas de elucidação. Consoante ao filósofo Karl Marx: “Um problema só surge quando reunidas condições para solucioná-lo”. Para isso, o SENAC e SENAI financiados pelo Ministério da Educação, devem promover um programa social de inserção desses cidadãos a sociedade, através da implementação de cursos profissionalizantes e de educação básica, ministrada por ex´s moradores de rua já ressocializados, com o fito de conseguir melhorar as condições educacionais, profissionais e financeiras desses indivíduos, para que possam conseguir um emprego, devido à qualificação adquirida por meio dessa política institucional. Somente assim, retirando as “pedras” do meio da passagem que se poderá caminhar em busca de um país com mais alteridade.