Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 02/09/2018
Na obra de Aluísio de Azevedo, “O cortiço”, é retratado o processo de segregação socioespacial presente nas cidades. Hodiernamente, essa realidade ainda persiste, uma vez que existem mais de 100 mil pessoas em situação de rua no Brasil, consoante dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Nesse contexto, é oportuno salientar como um legado histórico-cultural aliado à falta de incentivo governamental são fatores corroborativos nessa problemática, configurando um grave problema social.
Mormente, no período da Primeira República brasileira, ocorreu um processo de reformas urbanas chamado de “bota-abaixo” na cidade do Rio de Janeiro, que tinha o objetivo de adequar o local ao modelo estrutural europeu. Esse processo, autoritariamente, demoliu inúmeras construções, prejudicando milhares de pessoas com a perda de suas moradias. Destarte, é válido relacionar esse ocorrido com a derrubada de prédios abandonados em São Paulo, que serviam de residência para centenas de pessoas sem-teto, após a tragédia do edifício Wilton Paes de Almeida. Esse fato contribui para a ascendência do índice de moradores de rua no país e elucida o descaso público em detrimento da questão.
Em paralelo, dados do jornal “ISTOÉ” mostram que as principais causas para as pessoas viverem nas ruas são o desemprego e a dependência química. Sob tal perspectiva, é essencial fornecê-las o mínimo de dignidade, através de oportunidades de trabalho e estudo, além de políticas de ajuda a indivíduos viciados em substâncias ilícitas. Sem embargo, na ausência de tais medidas a situação só se agrava, devido à atual conjuntura econômica brasileira, com o crescente número de desempregados e o alto custo de vida, impossibilitando a ascensão desse grupo já tão desfavorecido.
Infere-se, portanto, que atitudes são necessárias para resolver a questão dos moradores de rua no Brasil. É imperioso que os Governos Estaduais, em conjunto com iniciativas como o Senac, ofereçam cursos profissionalizantes aos necessitados como oportunidade de ingresso ao mercado de trabalho. Ademais, o Senad (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas) deve atuar no resgate de viciados, por meio de operações de campo e oferecimento de suporte psicológico, tudo isso a fim de promover condições para o retorno do cidadão. Outrossim, o Governo Federal, mediante apoio da União, deve atuar no financiamento de programas como o Minha Casa Minha Vida, com o intuito de disponibilizar moradia e retirar as pessoas da situação de rua. Sob tal perspectiva, poder-se-á viver em um mundo em que “O cortiço” já não condiga tanto com a realidade.