Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 03/09/2018
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à questão social dos moradores de rua no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas de que a invisibilidade dos moradores de rua enfrenta obstáculos tendo em vista a negligência governamental e o preconceito da sociedade.
Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que a falta de investimentos em habitações que garantam a moradia, alimentação, saúde, higiene e a proteção para eles são quase inexistentes. Desse modo, evidencia-se a importância da atuação do Estado como forma de combate a problemática.
Outrossim, o preconceito da população ainda é um grande impasse para a reinserção daqueles que se encontram às margens da sociedade. Infelizmente, a existência da discriminação contra moradores de rua, sendo adjetivados pejorativamente como mendigos, é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. O renomado geógrafo Milton Santos dizia que uma sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não o que une seus membros, algo que se evidencia na exclusão e consequentemente ocultação desses indivíduos.
Diante dos fatos supracitados, torna-se evidente que a situação dos moradores de rua no país vem acentuando-se e marca um intenso fato social. Para mitigar o imbróglio, é necessário que o Governo Federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, deve criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, alimentação, saúde e higiene - direitos básicos garantidos pela Constituição - , além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto as emissoras e as redes sociais, que divulguem a situação dessas pessoas e motivem a ajuda ao próximo, incentivando o senso de coletividade. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.