Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 05/09/2018

A imposição de padrões rígidos de certo e errado e a busca por verdades absolutas impedem que parte da sociedade conviva com as diferenças. Essa visão etnocêntrica resulta numa pretensa superioridade capaz de causar a exclusão social, ou até mesmo agressões físicas, como no caso da violência sofrida por moradores de rua no Brasil. Isso ocorre devido ao precário sistema educacional, pautado na competitividade, como também no posicionamento do Estado diante desse infortúnio.

A princípio, nota-se que o ensino no Brasil é conteudista, mecanizado. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e conscientização social deixa a desejar na forma educacional dos brasileiros. Assim, diariamente moradores de rua são vítimas de agressões físicas, pois alguns brasileiros acreditam que a presença dessas pessoas desvalorizam e dificultam o fluxo comercial, tendo em vista que muitos dos sem teto estão ligados ao tráfico de drogas.

Em segundo plano, a inércia do governo diante desse crescimento geométrico de pessoas sem moradia também cumpre papel relevante no aumento dessa problemática. A Constituição Federal , de 1988, garante moradia, emprego entre outros direitos fundamentais para o ser humano. Contudo, esses benefícios estão distantes da realidade da maioria dos brasileiros. Dados mostram que, só em São Paulo, existem milhares de moradores de rua. Esse fato é reflexo de uma concentração econômica ligada à industrialização do país. Na década de 70, por exemplo, milhares de nordestinos migraram pra o sul e sudeste brasileiro para fugir da pobreza que assolava aquela região, resultando em um inchaço populacional nas principais cidades que não tiveram como comportar essa quantidade de pessoas, aumentando, assim, a desigualdade social.

Urge, portanto, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar os problemas sociais ligados aos moradores de rua. Para isso, o Ministério do Desenvolvimento deverá, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolver projetos educacionais que viabilizem a formação e a capacitação de jovens no ensino médio, com cursos profissionalizantes, voltados para carência de profissionais no mercado de trabalho, facilitando e direcionando o adolescente, transformando-o em pessoas economicamente ativas e privando-as da pobreza extrema, um dos principais problemas enfrentados pelos moradores de rua.