Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 06/09/2018
‘‘O importante não é viver, mas viver bem". Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, a população de rua que, diante da invisibilidade social e de violências - físicas e morais - sofridas, vivem, não necessariamente bem. Com isso, ao invés de agir para aproximar a realidade descrita por Platão, da vivenciada por estes indivíduos, a escola e a falta de empatia da pós-modernidade contribuem com a situação.
Em primeira análise, de acordo com Immanuel Kant, filósofo prussiano, o indivíduo é fruto da educação. Sob esse viés, a situação da população de rua brasileira está, indubitavelmente, ligada à um baixo nível educacional que tais apresentam, já que, segundo dados divulgados pela revista Isto é, mais de 50% dos moradores de rua não chegaram a terminar o ensino fundamental. Em decorrência disso, estes indivíduos enfrentam dificuldades para permanecer no mercado de trabalho, o que, consequentemente, leva-os à enfrentar dificuldades financeiras e, posteriormente, irem para as ruas. Dessa forma, a escola contribui para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada por indivíduos que vivem nas ruas.
Ademais, a fluidez dos tempos pós-modernos conforme caracterizou Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, contribui com essa problemática. Isso decorre do egocentrismo e individualismo, comuns nessa pós-modernidade, que geram uma falta de empatia pelo próximo. Assim, criou-se uma sociedade egoísta e individualista, que não reflete e nem ao menos se importa com a questão dos moradores de rua. Por consequência disso, a população que vive nas ruas é cada vez mais marginalizada por parte da sociedade.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que aproximem estas duas realidades. Em razão disso, o Governo Federal, por meio de um projeto social, deve promover a reinserção do indivíduo na sociedade, com fito de diminuir essa questão social no Brasil. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com Escolas, deve incluir a disciplina ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderno, deverão disseminar o hábito de empatia. Dessa maneira, a realidade dos moradores de rua no Brasil será aproximada da realidade descrita por Platão.