Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 06/09/2018

A obra “Capitães da Areia” de Jorge Amado conta a história de garotos que perdem a sua infantilidade ao serem abandonadas e forçadas a viver na rua. Privados de carinho e em meio a uma sociedade extremamente opressora, cada um desses meninos busca uma forma de conforto, seja na religião, em prostitutas, ou nos próprios furtos que eles praticam pela cidade. De maneira análoga, muitos brasileiros vivem em condições precárias e sem nenhuma dignidade, sendo chamados de “moradores de rua”. Entretanto, muitos consideram essa denominação como um eufemismo, pois eles são privados do direito à moradia.

Segundo o pensador brasileiro Milton Santos, a globalização faz com que se crie a falsa ideia de que o mundo está mais homogenizando e que o capitalismo só trouxe benefícios enquanto, por trás dela, o individualismo está cada vez mais forte e só são valorizados aqueles que possuem mais dinheiro. A crescente população em situação de rua no Brasil é a comprovação de que a lógica capitalista só amplifica as divergências sociais. São geralmente indivíduos sem renda e sem educação básica e, portanto, não conseguem contribuir para o progresso econômico do país. Como consequência disso, são negligenciados e tratados pelo resto das pessoas com ignorância e, muitas vezes, também com violência.

Além de serem menosprezados pelos que se sentem superiores, os moradores de rua ainda sofrem com a falta de higiene e invernos rigorosos. Similarmente às ideias deterministas de que o homem é fruto do meio em que vive, é muito comum que estes desabrigados - maltratados, vivendo em condições desumanas e sem perspectiva de melhora - acabem recorrendo ao mundo das drogas, do alcoolismo ou da criminalidade. Entretanto, geralmente a população generaliza e associa qualquer sem-teto a um criminoso, aumentando os preconceitos.

Dessa forma, a forma como os sem-abrigo são tratados comprova a ineficiência do Estado em garantir os direitos assegurados na Constituição. Portanto, cabe ao Poder Público em parceria com ONGs a o fornecimento de uma vida mais digna à essas pessoas por meio de projetos para melhores condições de higiene, alimentação e proteção contra o frio, com ações similares à “Campanha do Agasalho”. Ademais, é dever das escolas formar os alunos para se tornarem cidadãos empáticos e acabar com os preconceitos contra os mais pobres através de aulas de moral e ética. Por fim, o Ministério da Saúde deve realizar cursos especiais visando a reinserção desses indivíduos na sociedade e, possivelmente, no mercado de trabalho. Só assim, a ideia de Milton Santos de que é possível transformar a globalização perversa em uma globalização mais humana pode vir a acontecer.