Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 29/09/2018

John Locke, pai do liberalismo político e figura de grande importância para a ideologia ocidental, defendeu o direito à propriedade privada como intrínseco ao ser humano e a obrigatoriedade do Estado de assegurá-lo. Hodiernamente, não obstante, a realidade brasileira vai de encontro com esse ideário ao transparecer no país uma problemática tangente aos moradores de rua, que, mediante fatores socioculturais e técnicos, têm seus direitos básicos negligenciados.

Em primeira análise, é profícuo salientar que a existência de uma população de rua está, não raro, relacionada à desigualdade social. Sob essa ótica, consoante com o ideário de Marx acerca da economia que determina as relações sociais, certos indivíduos tornam-se marginalizados devido a condições financeiras insuficientes para manter uma casa e recorrem, portanto, às ruas para sobreviver. Ademais, a insuficiência dos albergues, tanto em número quando às suas regras inflexíveis, é uma agravante para a problemática, pois não deixam de segregar esses indivíduos.

Outrossim, a falta de oportunidade que acomete a população de rua expõe esse setor a situações degradantes. Nesse sentido, vídeos de “pegadinhas” na internet humilhando pedintes e violentos ataques a moradores de rua se repetindo nos noticiários denotam o preconceito para com esse setor. Ademais, estão sujeitos à conjuntura hostil que viabiliza a propagação de doenças e exposição ao frio e à chuva, sobrelevando a urgência em proteger essas pessoas.

Destarte, medidas são necessárias para resolver as questões dos moradores de rua no Brasil. Nesse viés, é necessário que o poder público municipal destine maiores investimentos aos projetos de construção e sorteio de casas populares. Tal-qualmente, é recomendável que o governo ofereça subsídios à iniciativa privada que atua no sentido de incluir essa população no mercado de trabalho, oferecendo, dessa forma, oportunidade para a melhoria das condições dessas pessoas. É imperativo, ainda, que haja engajamento da sociedade com a causa, o que pode ser realizado com a difusão das questões vivenciadas pelos moradores nas redes sociais, com o objetivo de dar voz à questão. Assim, é possível que o direito à propriedade defendido antes por Locke se aplique a todos os brasileiros.