Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 06/10/2018
O livro de Jorge Amado , " Capitães da Areia", relata com veracidade a vivência de meninos que residem nas ruas, invisíveis para maior parte do centro baiano no século XX. Na contemporaneidade não é diferente, essa situação miserável ,na qual está condicionada uma parcela do núcleo populacional brasileiro, encontra raízes não só na inoperância do governo, mas também no distanciamento da caridade humana, descaracterizada pelo pensamento intolerante.
Em primeira via, apesar da existência de projetos governamentais, observa-se a ineficiência estatal frente ao combate à mendicância e , por muita das vezes, tal processo é pouco acolhedor. Prova disso, foi o que aconteceu na cracolândia, em que moradores de rua dependentes químicos foram expulsos do local com uso da violência policial. Dessa forma , tal ato corresponde ao despreparo governamental, que reprime e coage ao invés de incluir esses indivíduos por meio da maior destinação de verbas para a criação de centros comunitários ou até mesmo de fundos assistencialistas . Nesse sentido, é inadmissível a persistência desse fenômeno , visto que difere das propostas estabelecidas pela Constituição Federal de 1988.
Outrossim, é indubitável que a porção populacional também é responsável pela discriminação do contingente abordado . Isso pode ser explicado pela Teoria do rótulo, do sociólogo americano Howard S. Becker, o qual esclarece que a classe dominante determina o modelo comportamental das camadas populares a fim de classificar o que é aceito ou não pela sociedade. Assim sendo, os moradores de rua são retratados como delinquentes que não merecem fazer parte do corpo social, traduzindo um aspecto retrógrado que, além de marginalizar , contribui para a doutrina individualista , já que é mais fácil e cômodo se afastar da realidade visível do que originar medidas inclusivas.
Urge, portanto, que alternativas viáveis sejam discutidas com o fito de mitigar a segregação a esse grupo. Com isso, é imprescindível que ONG’s, em parceria com os três poderes, promova a criação de locais que abriguem os moradores , por meio da criação de um banco de doações , tanto por parte do Estado quanto por parte da população. Logo, a proposta tem como objetivo desmitificar o poderio do preconceito e ampliar o auxílio , com a finalidade de garantir moradia e também os direitos inerentes aos seres humanos- como saúde , educação e alimentação. Do mesmo modo, é fundamental o investimento em centros de reabilitação , tendo que em conta que muitos necessitam se desvencilhar das drogas e serem inseridos no âmbito social. Partindo desse pressuposto, o contexto perpassado pela obra de Amado poder-se-á ser contrariado.