Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 15/10/2018
O pensamento do chanceler alemão Bismarck de que a política é a arte do possível, adquire ares de obsolescência quando relacionado à situação dos moradores de rua no Brasil que, severamente, são negligenciados pelo Poder Público e até pela própria sociedade civil. O grande índice de moradores de rua tem aumentado devido à inúmeros problemas socioeconômicos e políticos (como a dependência química e o desemprego), e também em consequência de desentendimentos familiares.
Em primeiro momento, a tese empírica aristotélica de que o ser torna-se aquilo ao qual é constantemente submetido, ganha força ao observar-se a situação de milhares de brasileiros. Movidos pela dependência química, algum extremo abalo psicológico e até mesmo a perda da dignidade diante o desemprego, muitos indivíduos sofrem as ruas das grandes cidades sem ter para onde ir. Desnorteados por um governo que não move-se perante o problema de calamidade social e saúde pública, a mobilidade social destas verdadeiras vítimas do sistema é teoricamente extinta. Até quando o opulente Poder Público, detentor de gastos maiores que o da cora inglesa, se apresentará letárgico à quem tanto necessita?
Além de tais problemas calamitosos, algo que catalisa o lamentável aumento de moradores de rua são os conflitos familiares. O ser humano é científica e sociologicamente um animal social, essa necessidade de interagir não é a todo momento bem sucedida, na maioria das vezes o choque de percepções (como o conflito entre gerações), e princípios diferentes são as causas para o desentendimento familiar. Ao ver-se forçadamente emancipado de seus entes queridos, o indivíduo, na maioria dos casos um adolescente ou jovem, busca refúgio nas ruas, lugar que o expõem a todos os empecilhos anteriormente citados.
Dessa forma, é evidente que medidas são necessárias na resolução do impasse. Primeiramente, o Ministério Público deve trabalhar na criação de abrigos públicos para acolher moradores de ruas e garantir aos mesmos o acesso à higiene e alimentação. Tal ação pode ser financiada com uma parceria público-privada, e ainda com doações feitas pelo senso comum, sensibilizado a partir de publicidades expostas tanto na internet quanto na ficção por meio da criação de um personagem representativo. Posteriormente, o Ministério da Saúde deve oferecer gratuitamente a internação de moradores de rua que se encontram em estado de dependência química, e disponibilizar tratamentos psicológicos tanto para a família quanto ao indivíduo, em busca de uma “repatriação” do necessitado. Com medidas assim impostas e oferecidas à sociedade, a política social brasileira dará um passo ao conceito virtuoso de Bismarck, a arte do possível.