Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 10/10/2018
No Brasil hodierno, a alta incidência de pessoas vivendo em situação de rua é uma questão a tratar. Tal fato não deve ser visto somente como resultado do déficit habitacional presente em grande parte das cidades, mas também como consequência de problemas emocionais e familiares. À vista disso, para aplacar a problemática supracitada, faz-se necessária uma ação conjunta entre governo e sociedade.
Com efeito, é possível definir o caótico processo de urbanização como um dos principais fundamentos do elevado índice de desabrigados no países. O período de industrialização nacional, que originou um intenso êxodo rural, não incluiu um eficiente projeto de planejamento urbano. Desse modo, as cidades se tornaram ambientes complexos, com a insuficiência habitacional levando ao surgimento de aglomerados subnormais e a falta de acesso à moradia. Esse cenário, para além de inserir inúmeros brasileiros na posição de moradores de rua, compromete a ordem social do país, uma vez que, na visão de Vygotsky, o contexto sociocultural no qual se encontra o indivíduo determina o seu desenvolvimento. Portanto, ao viverem situação de rua, com péssimas condições de vida, essas pessoas têm sua formação prejudicada.
Outrossim, Jorge Amado, em sua obra “Capitães da Areia”, descreve a rotina de jovens infratores que residem em uma praia, buscando em suas histórias uma explicação pra esse desfecho. Assim como no livro, o abandono parental, entre outros problemas familiares, e o uso de substâncias ilícitas se constituem como grandes desafios os quais inviabilizam a reversão dessa conjuntura. Distúrbios emocionais, ao serem negligenciados, também podem decorrer no abandono do ambiente doméstico. Por esse viés, na lógica de Durkheim, a questão da população vivendo nas ruas é um fato social patológico, já que, apesar de ser um fenômeno comum às diversas sociedades, sua frequência no país se configura como uma ameça ao bem estar comunitário. Sendo assim, como todo fato social diz respeito à consciência coletiva, é preciso mudar a percepção geral acerca do assunto.
Destarte, é fundamental a adoção de medidas que melhorem o meio urbano e as instituições sociais. Para tanto, o Governo deve investir na construção de conjuntos habitacionais direcionados à população de rua, com a estádia temporária gratuita, até que, com a melhoria na qualidade de vida, esses possam se reinserir no mercado de trabalho e arcar com os custos de moradia.Também é sua tarefa garantir a criação de centros de apoio, com a presença de psiquiatras que possam tratar de possíveis traumas psicológicos que tenham resultado nesse estilo de vida. Por fim, é preciso que a instituição familiar promova o diálogo, fortalecendo os laços e, subsequentemente, evitando o .abandono do lar.