Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 24/10/2018
Sob a perspectiva filosófica de Rousseau, o surgimento da noção de propriedade privada deu origem às desigualdades sociais, corrompendo, assim, os valores éticos que previamente regiam a conduta humana. Lamentavelmente, essa distópica realidade é percebida de forma intensa no Brasil, ao se analisar o significativo número de pessoas em situação de rua que, diariamente, possuem sua integridade física e moral violadas. Nesse contexto, pode-se afirmar que essa nefasta situação é sustentada pela postura indiferente da sociedade, bem como pela negligência governamental.
A priori, é válido ressaltar que nenhuma violação aos direitos humanos mais básicos se perpetua por muito tempo, sem que haja a omissão da população. O que se nota, pois, hodiernamente, é a naturalização da exclusão social daqueles menos favorecidos, ou seja, grande parte dos indivíduos assumem uma postura displicente frente àqueles que sobrevivem nas ruas, julgando ser algo intrínseco ao sistema. Em conformidade com as ideias de Zygmunt Bauman, a liquidez característica dos tempos modernos fomenta a individualidade e, logo, a indiferença ao sofrimento alheio. Por conseguinte, a ajuda da sociedade civil a esses indivíduos, em sua grande maioria, se restringe a auxílios esporádicos, não havendo, desse modo, mobilizações de grande porte que possam surtir efeitos expressivos.
Destarte, tendo em vista que os governantes respondem aos anseios populares, percebe-se a ineficiência do Estado no que tange à ampliação de políticas públicas expressivas que auxiliem, de fato, as pessoas em situação de rua a saírem de sua triste condição. Essa situação abjeta configura-se como um vilipêndio a Magna Carta brasileira, posto que tais indivíduos sofrem com a ausência não só de um lar, mas também de segurança, alimentação, saúde e saneamento básico. Consequentemente, a ínfima atuação governamental perpetua a marginalização daqueles que não possuem um lar.
Portanto, indubitavelmente, faz-se necessário um esforço conjunto entre a população e o Poder Público para a promoção da qualidade de vida e garantia da dignidade humana dos indivíduos que vivem nas ruas do Brasil. Logo, seria viável que as ONGs promovessem campanhas virtuais de grande porte - com a participação de influenciadores digitais favoráveis à causa - a fim de sensibilizar a sociedade, para que essa, posteriormente, por meio de manifestações pacíficas, exija dos governantes a observância desse nefasto problema. O Estado deve, por sua vez, intensificar programas voltados a essa parcela da população, capacitando mais assistentes sociais, para que haja um atendimento individual que forneça ao indivíduo em situação de rua moradia, cursos profissionalizantes, bem como tratamento de qualidade para os dependentes químicos. Dessa forma, alçar-se-á a concepção platônica de que é necessário não apenas sobreviver, mas viver bem e com qualidade.