Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 11/10/2018
O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido:“Brasil, país do futuro”.No entanto, quando se observa a defi- ciência de medidas no país, em prol dos moradores de rua e desabrigados, fica evidente que a profecia de Zweig encontra-se restrita ao âmbito formal, e não, desejavelmente, na prática. Nesse contexto,nota-se que a desorganização gestorial do Brasil é o mecanismo que possibilita a continuação de tal mazela.
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Assim, para compreender o dilema dos moradores de rua no Brasil, é necessário mencionar os principais fatores que levam uma pessoa a residir em ruas a praças citadinas. Nesse perspectiva, o envolvimento com álcool e drogas ganha destaque entre esses obstáculos, principal-mente pela falta de auxílio estatal quanto a tratamentos psiquiátricos e combate efetivo à venda ilegal de entorpecentes. Além disso, a desemprego no país, que segundo o IBGE, atinge mais de 13 milhões de brasileiros, pode ser considerado outro fator que ratifica a situação dos desabrigados, posto que a falta de uma remuneração mensal reduz drasticamente o potencial aquisitivo de um indivíduo.
Outrossim, segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, observa-se que a atuação do Estado bra-sileiro rompe que essa harmonia, posto que não existe uma política eficiente, no país, de auxílio e am-paro aos indivíduos sem moradia. Assim, existe uma inércia que pereniza a mazela dos desabrigados, os quais raramente conseguem deixar as ruas e, por conseguinte, perpetuam a miséria aos filhos e descendentes. Diante da atuação negligente do Estado, entende-se porque o Brasil continua estagnado na 79ª posição no ranking de IDH, segundo a Organização da Nações Unidas (ONU).
Portanto, fica claro que o descaso com os moradores de rua precisa ser combatido. Na visão de Peter Drucker, “não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.” Assim, para reverter esse cenário, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de verbas disponibilizadas por empresas privadas (em troca de isenções e benefícios fiscais), criar um grande centro de recuperação do vício em álcool e drogas, contratando psiquiatras e assistentes sociais para amparar os desabrigados que precisam de tratamen-to psicológico. Isso deve ser feito com a assistência do Governo Federal, que deve realizar a compra de grandes latifúndios inativos para a construção desse centro e de moradias para as pessoas desabriga-das, além de investir na produção de gêneros alimentícios, buscando reinserir os ex-moradores de rua no mercado laboral brasileiro. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.