Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 11/10/2018
Após as revoluções industriais ocorridas no século XVIII, o mundo passou por um processo de urbanização, gerando como subproduto o aumento no número de moradores de rua. Contemporaneamente, essa consequência é refletida no Brasil, visto que o Estado negligencia essa situação. Além disso, é válido ressaltar que esses indivíduos se tornam invisíveis para a sociedade. Neste sentido, cabe debater o papel da sociedade e do Estado acerca deste assunto.
Em primeira análise, pode-se observar que mesmo que a constituição de 1988 garanta o direito à moradia, o Estado ainda se mostra ineficiente na resolução desse problema. Este descaso governamental é evidente na falta de programas que auxiliam estes indivíduos, o que resulta em um processo de favelização. Essa consequência se torna prejudicial para saúde dos sem-teto e para o ambiente. Visto que casas são construídas sem saneamento básico e como essas casas são construídas em encostas gera no solo o processo de lixiviação, resultando em deslizamentos e mortes dessas pessoas que são marginalizadas e acabam buscando alternativas para saírem das ruas. Certamente tragédias como o deslizamento em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 2011, serão constantes enquanto o governo não buscar formas de alocar moradores de rua, impedindo assim a ocupação de encostas.
Em segunda análise, pode-se observar que a população ignora estes indivíduos e criminalizam os mesmos. É inegável a invisibilidade desses moradores de rua aos olhos da sociedade. Isto ocorre porque a sociedade está pautada em uma cultura individualista, que não se preocupa com o estado de bem-estar social do próximo. Esta realidade é exemplificada pelo pensamento do filósofo Jean-Jacques Rousseau que diz que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Seguindo esta analogia pode-se constatar que a situação dos sem-teto tem relação direta com o individualismo cultural, visto que este pensamento coletivo invisibiliza essas pessoas que estão a margem da sociedade. Desta forma torna-se necessária mudanças no pensamento social para que as minorias que não possuem moradia sejam aceitas.
Urge, portanto, a necessidade de uma intervenção estatal, por meio de programas sociais que aloquem essas pessoas em residências construídas pelo próprio governo em conjunto com a iniciativa privada. Além disso torna-se necessário que o ministério de educação (MEC) promova debates que incentivem a coletividade social, permitindo deste modo que a população diminua a rejeição destes indivíduos. Deste modo irá gerar um estado de bem-estar social para toda a sociedade.