Moradores de rua no Brasil: uma questão social
Enviada em 01/11/2018
Como referido por Isaac Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que uma força externa suficiente aja sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, lamentavelmente, o hodierno cenário dos moradores de rua no Brasil: uma inércia que persiste em detrimento de problemas com drogas, além do desemprego. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a essa questão social não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, de acordo com o filósofo Rousseau, o homem nasce livre, porém, se encontra acorrentado por toda parte; fato esse que se evidencia devido ao crescente uso de drogas na sociedade. Logo, os usuários se veem dependentes de substâncias ilícitas e, como relatado constantemente pelas mídias, começam a manifestar atitudes questionáveis, como a venda de objetos domésticos - a fim de manter o vício -, brigas entre os familiares e a resistência às clínicas de reabilitação; acarretando na dramática decisão de se habitar nas ruas.
Faz mister, ainda, salientar o desemprego latente no presente âmbito nacional como impulsionador do problema exposto. Sob o mesmo ponto de vista, Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, relatou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura se quer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse sua acertada decisão: a atual conjuntura dos moradores de rua, muitas vezes causada pelo desemprego, é uma das faces mais lamentáveis da sociedade. Elucidando isso, pode-se citar uma matéria publicada pelo Jornal G1, em janeiro de 2018, em que foi discorrido que o desemprego atinge cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil; tais feitos favorecem na formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.
Destarte, forças externas devem tornar efetivas, vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, o Governo Federal deve capacitar os cidadãos que vivem nas ruas, por meio de cursos técnicos gratuitos (além de ajuda financeira), a fim de fazê-los competir pelo mercado de trabalho de forma justa e tirá-los de tal situação desumana. Aliado a isso, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, financie projetos educacionais, por intermédio de propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos relatando sobre os malefícios das drogas, promovendo a conscientização dos jovens. Somente assim, com medidas graduais, haverá uma sociedade igualitária e desprendida de vícios, favorecendo na formação de um legado pelo qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.