Moradores de rua no Brasil: uma questão social

Enviada em 23/10/2018

Desde a Revolução Francesa, entende-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza com a necessidade do outro. No entanto, quando se observa a situação dos moradores de rua como realidade onipresente no país, verifica-se que os princípios do século XVIII são constados em teoria e não na prática. Nessa perspectiva, cabe analisar dois pontos que não podem ser negligenciados, como os obstáculos enfrentados pelo sistema político, em frente ao problema e as consequências de tamanha negligência.

É indubitável que a política seja um ponto nevrálgico para garantir os direitos de todos os cidadãos. Segundo o filósofo grego Aristóteles, o corpo político é fundamenta para atingir a justiça , de modo que o equilíbrio da sociedade seja alcançado. De forma contrária, instiga-se que as políticas públicas desenvolvidas no Brasil rompem com essa harmonia, já que há especulação mobiliária nos centros urbanos, concentrando imóveis em mãos de uma  minoria, além de não haver políticas de inserção de moradores de rua no mercado de trabalho brasileiro, reduzindo a qualidade de vida da população brasileira. Comprova-se isso, pela posição do país em 79º lugar, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Ademais, convém frisar como a situação de exclusão desse grupo lhes impactam socialmente.Como já dito pelo psicanalista Sigmund Freud, o medo de mudar é inerente ao homem, logo se torna algo cruel  e sistêmico, mas a vontade de viver bem se sobrepõe e torna-se a maior motivação para modificar a realidade. Desse modo, a população de rua percorre pelos caminhos das drogas, entregues ao alcoolismo, prostituição, pobreza, fome e estado de miséria absoluta. Entretanto como o próprio pensamento freudiano defende, a mudança da realidade é possível.

É evidente, portanto, que há muitos entraves que impedem a solidificação de políticas que visem um mundo melhor. Assim, é necessário que o Ministério público se comprometa em criar planos de inclusão dessa minoria, criando postos de trabalho e cursos públicos para erradicar os níveis de pobreza absoluta e inseri-los no mercado de trabalho. Além disso, o Ministério da Educação pode instituir nas escolas projetos com acompanhamento dos educadores, afim de libertar a sociedade de certos preconceitos e tabus sobre os moradores de rua, para que não vivam nas sombras da caverna, como defendia a alegoria de Platão.